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RESSONANTE - para Luiz Parreiras

Não
Que não seja
Dor
O que pulsa
                   Minha letra
Mas não é mortificante
Ou de comprometer
Minha liberdade
Ou a dádiva
De desprometer-me
                              Da caneta.

Só sei que calhei
De devolver ao papel
Os personagens expulsos
Do seu próprio enredo...
E não é mágoa
Ou pesar
O que dá esse tom
É o revirar
De um sóbrio
Medo.

Eu sei
Que dá de machucar
O que eu escrevo
Mas a ferida
Que exponho ao luar
Muito antes já se foi pra lá
- Não mais a tenho -

Poeta quando ousa reverberar
É que a dor que fisgava está,
No só,
           Do imenso.

Comentários

  1. Nossa! Arrepiante!

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  2. Seu papai tem razão... é forte demais e eu sentiria o mesmo se fosse de um filho meu! Mas por ser forte é lindo!

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  3. Me alivia esses versos, me acalma e espanta a tua dor que me doi.
    Poeta deve ser assim como você é, faz ressoar sentimentos que nós desprovidos do encantamento de compor só passamos a perceber quando lemos seus poemas.
    Poesia é assim, ...nos obriga a pensar no que não percebemos, abre nossa cabeça para além do imaginarium.
    Luiz Parreiras

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
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Do timbre
Dos anos
E as apresentasse pra ti?

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Por entre intempéries e raios
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Para subverter a beleza que não se vê
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De um cego
Mas te ferisse com meus dragões?

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Viesse sempre a costurar-me a boca
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E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
Haveria como professar a fé
Sem que te sentisses um otário?