terça-feira, 25 de outubro de 2011

RESSONANTE - para Luiz Parreiras

Não
Que não seja
Dor
O que pulsa
                   Minha letra
Mas não é mortificante
Ou de comprometer
Minha liberdade
Ou a dádiva
De desprometer-me
                              Da caneta.

Só sei que calhei
De devolver ao papel
Os personagens expulsos
Do seu próprio enredo...
E não é mágoa
Ou pesar
O que dá esse tom
É o revirar
De um sóbrio
Medo.

Eu sei
Que dá de machucar
O que eu escrevo
Mas a ferida
Que exponho ao luar
Muito antes já se foi pra lá
- Não mais a tenho -

Poeta quando ousa reverberar
É que a dor que fisgava está,
No só,
           Do imenso.

3 comentários:

  1. Nossa! Arrepiante!

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  2. Seu papai tem razão... é forte demais e eu sentiria o mesmo se fosse de um filho meu! Mas por ser forte é lindo!

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  3. Me alivia esses versos, me acalma e espanta a tua dor que me doi.
    Poeta deve ser assim como você é, faz ressoar sentimentos que nós desprovidos do encantamento de compor só passamos a perceber quando lemos seus poemas.
    Poesia é assim, ...nos obriga a pensar no que não percebemos, abre nossa cabeça para além do imaginarium.
    Luiz Parreiras

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