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ANTES TARDE

A poesia, meu caro
Não é um dado exato
Tão pouco um espelho bem virado para os teus olhos.

Se te digo que são teus
- Os poemas -
E neles não te vês
Penso que talvez
Falte mesurar-me
- Para além do traço teu em minha carne -
Ainda que me temas
- Como tua -
A cada vez.

Meu tema
Tu e teus olhos a esverdear fonemas
Tuas crises
Teus acessos de sinceras e abruptas barreiras
Teu ser de lua sensível em fuga
Mas tão elouqüente
Quanto o ciúme que te brota premente
- Em rara coragem -
A vagar doses súbitas.

Subo ao palco
E escancaro teus traços
Na minha escrita
Me atiça e me corre
Mas não me foge
Na cama
É beira
É briga
À beira de um ataque
- Desejo -
Eu te provoco
Eu te rogo
Mas não te beijo
Acaso sou eu de dividir o imenso?

Não te esqueço...
Mas se não és meu
Finjo que o és
                      E te cedo.

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PLANO DE VOO

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Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
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A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

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Não hei dizer do credo
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