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Mostrando postagens de Setembro, 2011

POLAR

A bateria
Tá me deixando
Sobre
         Carregada
Tomada pelo acesso
Dos teus braços...

E é tanto fio
- Da meada -
Que de vida útil
Só resta mesmo este poema.

RÉPLICA

Não me fale de ausências
As tive todas
Tolas e completas.

Não me fale do compromisso
De meus direitos adquiridos nos teus
- Lascivos -

Não me fale dos sorrisos
De quem te espera
Do trem, da terra
Incalculada nesse meu ventre de distância.

Não me fale das reentrâncias
Da superfície parodiada do teu medo
Não me exponha ao veneno
- Fascínio -
Se não pretendes me expurgar tal teu antídoto.

Não me fale dos riscos
Se ao te escrever já te vivo
Há meses, em pré-âmbulo.

Não me fale de teus motivos
Se não puder ouvir o ridículo...

Eu nem ao menos sei
Porque
Ou se
           Te amo...


É possível?

REMIX

Tá tudo remexido
Remixado
Na batida
E no sem freio
No bem a salvo
                         do silêncio

E o meu peito
É só um simples seresteiro
A cancionar o teu estrago.

LEGÍTIMA

Fui musa
Intrusa
Volume adulterado
A corroborar vocações.

E eis que entregue a ti
Me fiz parte
Dissonante regra
A arder o impasse
Que pasmém, tu celebras

Em interface...

OSÍRIS

Guarda-me
- Palavra -
                 Da chuva
- Gota d'água -
Enquanto
              For sedenta
Essa ilha
             Inspiração.

PRESENÇA

De_lírio...

Flores
Fenecem
No campo
                 Exato
- Magnético -
                           Do parecer
Em terra...

São espíritos.

TEU LIDO

Afago
Há fogo
A troco
De quê?

Acender um sem sono
Se ao ver faíscar
Faz-se da isca, um tolo
                                   A tolher?

VARSÓVIA*

Eu procuro
Mas temo o medo

7 vidas
Só tem a gata.

Eu tenho gueto.



*A palavra veneziana 'ghetto' era o nome de uma ilha onde existia uma fundição que fabricava peças para a artilharia da cidade. Mais tarde, quando os judeus de Veneza foram obrigados a viver nesta ilha, fugindo de perseguições, o local passou a designar uma zona isolada onde vivia um povo confinado. O Gueto de Varsóvia foi o maior gueto judaico estabelecido pela Alemanha Nazista na Polônia durante o Holocausto, ao tempo da Segunda Guerra Mundial.

MINUETO

Fico achando
Poemas perdidos
Por entre absolutas
Certezas
Resguardadas
De dúvida.

Resgato-as
Se é por entre meias- palavras
Que te salta
A minha óbvia
Garantia inesperada...

É terna
E deveras simples

A sonata.

PÔR-DO-SÓ

Quando o sono
Me abriga Na libertária Sensação de finalmente                                    Ter anoitecido Me adianto E deponho contra o sol Meramente um astro-rei 
Remissivo.
Raios ultra Violenta é a cor  do pacífico.

TECELÃ

O que sinto
É assim tão imenso
Mesmo AMORtecido
- Em meu hábil silêncio -
Eu te escrevo
Agora
Por hora
Ora compulsivamente
E cada verso
- Tão só -
É o mesmo

Eu, te amar
Pra te escrever?
É só um pré-texto.

ACIDENTE DE PRÉ-CURSO

Disparo

Contida

Pelo impacto

E te encontro

No vai e vem

Dos carros

- Agora em meu quarto –

Estou a salvo

E minhas paredes distraídas.



O ir e vir não é um pacto

E neste caso

Bem mais do que uma ironia imprevista.



Atravesso

Teu trajeto

E te injeto

Adrenalina

Da pura

Na veia.



Não me venha

Com saldos

- Inexatos –

De tuas análises

Científicas

E nem alheias.



Sei bem

Que estive em cena

Em plena teia

- Não que creia –

Em jogos de parafrasear pecados.



Sei bem do gosto

Do gesto

E do gasto tolo

De teus verbos todos

A fim de explicar

O inexplicável.



Não te assusta

Se sou de escrever

Teus dados

Quase a roubá-los

Ainda que no vir-a-ser

Excedidos.



Não te apavora

Com a loucura de minhas notas

De minhas histórias

Do que sequer

Possa vir a ser

Ou tenha sido.



Eu sou

Essa excêntrica

E tão óbvia

Garantia de sinistro.



Eu sou um acidentável

Comumente reprimido

Eu sou um resgate

A encurtar a dura-máter

Do teu olho castanho.



Eu sou um seguro

Resguardado

Automático

A reavê-lo apenas no fantástico de teu sonho.



VINTAGE

Imaginei-te magenta Uma lúdica interface de cometa Acometida de labor em osso novo A oscilar em céus o contraste do meteoro.
Rota de colisão - É Córdova -  Acorda e drena essa costa! Que de pena não nasce a cobra Nem de bote se resgata Lorca.
Há uma só arca E Noé mora é na cidade maravilhosa.

CONVERSÃO

Afasta a dor com cautela
Posso não suportar o atrito
Da flor com a leva
Leva-me quase ininhada
Se já fui tua
Não sou ninguém
- Em um nada -
De detritos.

Afasta desta minha costela o grito
O ardor que ainda a conserva intacta
Afasta a dor
- Caso ainda me queira -
Afasta essa dor alheia
E seja lá como for
- Não creia -
Em santos ungidos na água benta
Que tanto receias em beber...

Beba desta lauda em veia
É sangue, não fogo de palha
- Mas lenha -
E se queima
Acesa, sou freira
Mas atéia
Até me provar
Que já posso crer.

MAJESTADE

Eu me afoguei no teu olho
Liberta da sequela do ir além
Era tanto, que tonto
Tu cuspias o rosto
Ora suposto em gesto de bem...

Meu bem querer é um outro
Contanto há o mouro:
 - Rei morto, rei posto
Não resto, porém.

À PRIMAZIA DA OPRESSÃO

Vívida
Levito
A carta de alforria
E me comprometo.

Meu verso é um pleito
Dissociado da paixão
- Pérfida rima -
Dela só me acometo
Pra libertar o que no peito
O poema não confina.

Minha liberdade é existir no enjeito
Não no engenho
De matéria qualquer que me oprima.

DISPARATE

Eu estive ali
Para além do quanto
Me coubesse o teu porvir.

Por falar em ausências
Calhei de dormir
Sob vaga premissa
A disparar em meu peito
Aquela mesma batida

Difícil...
Então resisti
Mais intensa
É a cor de partir.

SIMULTÂNEO

Nunca
Escrevi
Tanto
Em tão pouco
Espaço
De tempo.

Sempre
Ouvi
Teu pranto
Em tantos outros
Amontoados
De silêncio.

Mas agora
Eu te escuto
- Não te estanco -
Não tenha medo
O absoluto
É um lapso
Quântico.

QUERÊNCIA

Confesso!
Eu não queria...
Mas querer
Nada tem a ver
- Com você -
Ou com poesia.

Aqui tudo posso
Versos são apenas ossos
Do ofício.

Papel A4
Não cabe
Em minhas impressões.

À primeira vista
Secundária é a vestimenta
Do desejo
Mas o que impera é a intempérie
Do próprio tempo.

GRADUAL

Não quero
Abrir
Mão
Olhos
Dar-me conta do óbvio
Não quero
Querer
Os teus lábios
Meu presságio eterno
Do que nos pertence...

É um princípio
Não um pra sempre.

A_TEU AFETO

Tu tão vivo
Tu tão vidro
Transparente
E altamente quebrável
Frágil
Franco...

Esse meu altar movediço
É teu, por enquanto
Mas só enquanto a minha oração
Mover o teu coração
Não só o teu Santo.

LE RETOUR DE LA ROUGE

Estou de volta:
E mais!
Voltei de cósmica abdução re-inventiva
Estou de volta à aldeia instantânea da minha vida
Um tanto mais bucólica
Não mais carbônea
E em tinta de insônia
Adormeço o vasto
- Que resume em falso -
O teor da minha lida!

Eu lido é com a vívida expressa
Na cor que vibra a promessa
De não mais arrefecer diante à dúvida.
Entre odes e certezas que tenho
Há apenas o pacto tão sigiloso em denúncia:

Estou de volta
E agora
Já posso ganhar o jogo...

"Não contavam com minha astúcia"!

(Paris - Outubro/10)