quinta-feira, 25 de agosto de 2011

FAZ-ME DE CONTA

Há vezes
O amor tão grande
Só resta
Ao multiplicar-se...

Nu
Silêncio
Esconde-se.

Só não me peça...

O que eu te dou
É a outra face.

sábado, 6 de agosto de 2011

DEUS TEMIDO

Estranha essa posologia barata
Que careço de suspender dimensão.

Diminuem os sãos
E há sal nos grãos
Do descarrego.

Não há
- Lúcida -
Uma só razão
Que justifique o dom
De quem DOMina
O próprio medo.

TESTEMUNHO

Eis que a insone
Sucumbe ao sono
Embalada pela sonata
Do imprevisto.

O impacto que a desperta
Não a acorda do silêncio
Mas do precipício.

Luzes inexatas
Refletem novas órbitas
Aos seus olhos misturadas.

Eis que ressurge uma outra ótica
- Agora lógica -
E indefinidamente sensata.

A do princípio.

ROLETA RUSSA

Se a coragem
Colorisse
A risada triste
Que hesita
A pena não seria um rifle
Sempre apontado
Para minha cabeça.

APOLOGIA

Há na parábola
Uma paranóia
Resumida.

"DESISTERE"

Há uma palidez adjacente
Em tais adjetivos
E eu, mal consigo
Ocorrer em mal signo
Sem fáscinio pela súbita
Técnica do desastre.

É latim?
Eu declino.

Me desate...

Há destino.

IMAGEM E AÇÃO

Hora
Me invade
Esta ternura
A cronometrar
Paradigmas.

Digna
É a obra
Devasta
A Autora
Resta a aurora...

Horizonte de quem vinga.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

FATOR

Resulte-nos.

A equação
É por tua conta.

OFICIOSO

Talvez
Meu maior
Pecado
Desapareça
Na gênese
Do poema.

Vida longa
É um prazo

Não um lema.

HOMÔNIMA*

A vida é boa
A vida é dela
E revivida
É Cinderela.

Dom divino, dom na terra
Esta, que gira infinita
Tanto traz que quem nos leva
Em cada rima fica à vista
O que dizer se é eterna?

Ela, Natalia
Cor tão fluída, flor de Hera
Quis a vida
Sempre ávida
- Não escrita -
Quais guardá-la tão bendita
A nossa linda Cinderela.

Vida boa
Vida bela
Só sei que é bem de noite
Que ela, doce, se revela
A cada insone badalada
Das doze que encerra.

Noite-dia virá hoje
Nossa viva Cinderela
Faz encanto e nos espalha
O ser no tanto que nos separa
O dom de ser
Quem sempre és
O dom você,
Nossa Natalia.

* Poema escrito em memória de Natalia Soares de Melo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

RESGATE

Fitava a sobra de seu desaparecimento
Quase que em um frêmito de claustro e amargura.

Eram lustres e obras despencando em torno de seu leito
Hora vozes de um suspeito a detê-la em cárcere sem uso de força bruta.

- O ódio não impera aos distintos - repetia em mantra, sua voz aguda -
- O labirinto máximo de quem tanto perde
É a curva breve
De quem se encontra.