sexta-feira, 29 de abril de 2011

DE NINGUÉM

Tento averbar ausências
Mas de abstrato
- Me basta -
Do termo,
A tenência.

PSEUDO_PODO

Quando voo
Esbarro
Na aerodinâmica
Da minha inércia
E permaneço livre
Por entre asas
De desamparo.

DA LIMITAÇÃO VISUAL POR ENTREOLHARES

Não há lógica
Subentendida
Em óticas ressentidas.

OCA_SIÃO

Não quero poesia
Ao acaso.

Se caso
Me separo dos termos
Sem abalo.

ENTRE_TANTO

Acho
- por bem -
Perder-me
Por entre sentidos
De posse.

ANTÍTESE

Eu prezo
O silêncio
Como quem rodopia
Em desagrado.

TERRA NOVA

Pairo
Beirando
Sementes.

Se germino
- Genuíno -
É o dom
Do aceite.

MENTE_CAPTO

Meu amor
É um cético
Esquecido
Na constante
De um tolo.

AUTOPISTA


Sei
Acontecer
Vestígios.

ESCALAS

Te deixo
Ir
A tempo.

Não que algum dia
Em algum tempo
Tenha estado
Aqui.

Mas
Te deixo
Ir
Como se a volta
Fosse mera questão
De ponto de partida.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

UNICIDADE

Tento existir
Na exterioridade
Da minha palavra

Em vão.

Cada cor que recorto
Em meu mote
"Tem sangue eterno"
Mas apenas uma das asas ritmada.

A outra se quebrou.

Só assim
A lira
Não me exata.

ENTIDADE

Quando o sono
Me abate
Assim inoperável
Em um meio de tarde
Pode ser um poema
Preparando meu espírito
Para recebê-lo sem alarde.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

SEGUINTE

Não sou
De refrear
Melancolias.

- Mas permiti-las -
É um dom tão raro
Quanto ver poema claro
Ao amanhecer sozinha.

DA DELICADEZA DAS POSSIBILIDADES

Pode ser
Equívoco
Invocado
Desses males
De amor
Mal-resolvido.

Pode.

Mas tem essa curva
Acentuada
Excetuando-se
Segura
- Faceira -
Como se houvesse
No depois
Uma ladeira
- Íngreme -
Mas emblemática

- Ainda que agora
Meu peito repouse em ponto morto -

Tem esse perfume
Essa lua
E o teu rosto
Ocupando a distância exata
Do meu bom senso

Pode ser
Que sendo
Imperfeito
Perfaça ruído
- Em silêncio -

Deixa ver
Pode ser
Questão de tempo.