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DE_VASTO

Eu sou uma dama
Que se contenta com a sede
E com a fome
E com a mesma e infinita
Réplica tão pequena.

Se for de me vir
Que me venha
Que me sobre no olho
E que me retenha no fôlego
Enquanto a fé for imensa.

Eu sou um verbo
E só reverbero
Quando o que há de ferro
Me marca as veias.

Ah, sim!
E sei que te amo
E sei que te quero
E sei que não há tanto tempo
- Que não há tempo algum -
Que te revire
Ou que te traga
- Respire -
Ao meu lado...

Esse elo tão estupefato
- De estragos -
De histéricos restos
- E não me nego ao que não acho -
Acho bem que é hora de partir de mim
Rumo à solitude do que te assombra
Sumo de infinitude em leve afronta.

Se te amo
Não te conto
Nem à Santa
De santa não hei de ter um raio
Nem pleito
Nem vento
- Só o estilhaço -
O vidro
Vivo
Terno
- E mal comportado -
Quando percebo que te amo
E te assisto ao longe largo do meu vasto.

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
E as lavasse do ritmo
Do timbre
Dos anos
E as apresentasse pra ti?

E se eu bradasse aos quatro cantos
O mesmo silêncio que exiges
Que seja escutado
Por entre intempéries e raios
E te pedisse pra me ouvir
Claro
E em alto e bom som?

E se eu usasse todos os meus dons
Para subverter a beleza que não se vê
Com os olhos
E batesse no peito com a humildade
De um cego
Mas te ferisse com meus dragões?

E se o bem que eu te fizesse
Viesse sempre a costurar-me a boca
A cruzar meus braços,
E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
Haveria como professar a fé
Sem que te sentisses um otário?