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TRAVESSIA

Sei que desperto teu amor é quase medo
Por isso te embalo
No peito
E seco teu pranto
No verbo
- Não na noite -

Dorme, bravo pirata insone
Adormece cada dor enjaulada
E cala no teu canto
A voz tão clara que não te some
(é palavra!)

Tanto sei
Do que não há de dizer
Em meu nome...

Mas te carrego de afeto
E te liberto,
Confesso!
Antes que queira te viver em meu léxico
Ou te ter como meu homem.

Dorme, meu bem
Inda é ontem...
Amanhã é um porém
Mas para bem além do trem
Há a ponte.

Comentários

  1. O amanhã de fato é um porém, mas também sempre travessia, assim como as palavras que nos atravessam sem pedir licença, se increvem e escrevem nossas histórias...

    Mônica Parreiras

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  2. Amei! Melhor ainda: conheço a versão dos fatos. ;) Bravo!!

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
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Enquanto não fores de fato iluminado
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O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
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