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Mostrando postagens de Fevereiro, 2011

EM GANA (QUE EU GOSTO)

As pessoas cobram um retorno
de quem me tornei
Quando tudo é questão de perceberem
que sobreviver
é o limite
do ser.

Eu sou
simplesmente
uma elouquência inexata
de porquês
e quereres.

Eu desejo me desmaterializar
a tempo de inspirar
da própria cinza
do desaparecimento.

Perecer é um alento...
PARECER é que é o lamento...

...E eu
não tô nem aqui.

TANTO FATO

Não hei de substanciar
a origem de todas as coisas.

Subsidiar o pensamento
à forma
É uma clara referência ao fracasso.



Causas
                Cousas
Crasso.

TRAVESSIA

Sei que desperto teu amor é quase medo
Por isso te embalo
No peito
E seco teu pranto
No verbo
- Não na noite -

Dorme, bravo pirata insone
Adormece cada dor enjaulada
E cala no teu canto
A voz tão clara que não te some
(é palavra!)

Tanto sei
Do que não há de dizer
Em meu nome...

Mas te carrego de afeto
E te liberto,
Confesso!
Antes que queira te viver em meu léxico
Ou te ter como meu homem.

Dorme, meu bem
Inda é ontem...
Amanhã é um porém
Mas para bem além do trem
Há a ponte.

CORTE

Hoje a luz do teu olhoQuebrou dois copos E um caco de vidro Me iluminou a sede.
De tanto te ter - Eu sei - Não hei de perder-te...

COMBOIO

Poucos são os que me mastigam
Com chances de então
Me digerirem
Poucos são os valetes
- In trains of our victories -

Conclusão:
Me são ourives
E se assim me ouvem
Por entre as naves
Onde deporto versos inverossímeis
- Eu me vou -
Antes mesmo dos que virão
Sumirem.

SOBRE_VIVA

Hei de entender
Que nem toda minúcia
Haverá algum dia
De ser percebida.

Aborreço-me com a mítica premissa
De que o poeta guarda em si
A desvelada ótica da vida.

Eu vivo à deriva
Mas me atraco como um bravo sábio
A precisar a maré
Imprecisa.

E quer saber?
Não precisa!
O detalhe é uma nau de resgaste
A alçar o bote que me traz à vida!

ESCAPE

O ar está insalubre
Magnetismo estático em plena conversão
Vejo a pirotecnia de meus defeitos
Codificados na lente esférica no não-acaso.

Acaso sou de ser?
Não.
Fui.
Este tempo é muito
Distrai no vão o hiato
E o agora desfaz-se súbito.

Eu mudo...
E a velocidade térmica
É a do desamparo
Sou de roer as flores
E de plantar os cactos...

Agora, imagine,
Se fosse ao contrário...

O amor é um céu de vime
E a lua, seu escapulário.