domingo, 27 de fevereiro de 2011

RADIANTE

Nasci
de morrer só.

Aprendi
de nascer
SOL

.

(SOLzinha)

EM GANA (QUE EU GOSTO)

As pessoas cobram um retorno
de quem me tornei
Quando tudo é questão de perceberem
que sobreviver
é o limite
do ser.

Eu sou
simplesmente
uma elouquência inexata
de porquês
e quereres.

Eu desejo me desmaterializar
a tempo de inspirar
da própria cinza
do desaparecimento.

Perecer é um alento...
PARECER é que é o lamento...

...E eu
não tô nem aqui.

TANTO FATO

Não hei de substanciar
a origem de todas as coisas.

Subsidiar o pensamento
à forma
É uma clara referência ao fracasso.



Causas
                Cousas
Crasso.

JOHN DOE

Acho que sou
de me apaixonar
                          desconhecendo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

FLUÍDA

Há uma liquidez absurda
Em cada sólido silêncio
              de toda música.

OBaSTANTE

Cada coisa em si encerrada
guarda a vulnerabilidade esquecida
na liberdade do nada.

RECADO

Há uma insígnia
de esperança
em meu pulso

Enquanto bater
- não canso -

Eu busco.

EIS A QUESTÃO

Liberdade começa com ir.
Fui.
Se vou voltar?
Aí é questão de SER LIVRE.

DES_ENCAIXE

A porta bateu
A chave caiu
Rolou para debaixo do sofá
E se perdeu entre fechaduras.

ZUMBIDO

Altas sintonias
confundem
Zumbis
adormecidos.

O sono é um vício.

FASTIO

Ando vaga
Ocupando-me por entre horas
- E ressalvas -
Ando farta
E voo sempre
que me dá
essa naúsea.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

TRAVESSIA

Sei que desperto teu amor é quase medo
Por isso te embalo
No peito
E seco teu pranto
No verbo
- Não na noite -

Dorme, bravo pirata insone
Adormece cada dor enjaulada
E cala no teu canto
A voz tão clara que não te some
(é palavra!)

Tanto sei
Do que não há de dizer
Em meu nome...

Mas te carrego de afeto
E te liberto,
Confesso!
Antes que queira te viver em meu léxico
Ou te ter como meu homem.

Dorme, meu bem
Inda é ontem...
Amanhã é um porém
Mas para bem além do trem
Há a ponte.

VARAL

Tira 
A camisa
E veste esta outra
Limpa.

O banal
É uma cousa
Tão linda...

CORTE

Hoje a luz do teu olho
Quebrou dois copos
E um caco de vidro
Me iluminou a sede.

De tanto te ter
- Eu sei -
Não hei de perder-te...

MANUAL

Escorre
Sangue
- Tinta -
Sou só de te verter
Escrita.

COMBOIO

Poucos são os que me mastigam
Com chances de então
Me digerirem
Poucos são os valetes
- In trains of our victories -

Conclusão:
Me são ourives
E se assim me ouvem
Por entre as naves
Onde deporto versos inverossímeis
- Eu me vou -
Antes mesmo dos que virão
Sumirem.

SIMPLES

Acho que perdi
- a inspiração -
Quando te encontrei.

NATURAL

Tanto faz
O que me dizem de ti
O que me esperam em nós
Tanto faz.

Tanto faz
Que acontece.

INFINITIVO

Não arredo o pé
Pois há fé
- No caminho -
E o fardo
- Não há de ser -
Infinito.

HOLYWOOD

Solta-me
Se for incapaz.

SOBRE_VIVA

Hei de entender
Que nem toda minúcia
Haverá algum dia
De ser percebida.

Aborreço-me com a mítica premissa
De que o poeta guarda em si
A desvelada ótica da vida.

Eu vivo à deriva
Mas me atraco como um bravo sábio
A precisar a maré
Imprecisa.

E quer saber?
Não precisa!
O detalhe é uma nau de resgaste
A alçar o bote que me traz à vida!

INDUÇÃO

Evoca-me
Mas me motiva
A abandonar-te
Por entre as pausas
Permissivas.

TEORIA

Há tanta espessura bruta
A lapidar meus versos rasos...

Razoável é um lapso crível
Insensato é o ato.

AFRONTA

Há sim
Um medo ébrio
Na lucidez
Por entre laudas.

GENÉRICO

Não gosto de poemas
Que terminam
No vide-verso.

Viram bula.

CLEMÊNCIA

Okay...
Vamos recapitular
Porque decapitar
Dá muito trabalho.

ESCAPE

O ar está insalubre
Magnetismo estático em plena conversão
Vejo a pirotecnia de meus defeitos
Codificados na lente esférica no não-acaso.

Acaso sou de ser?
Não.
Fui.
Este tempo é muito
Distrai no vão o hiato
E o agora desfaz-se súbito.

Eu mudo...
E a velocidade térmica
É a do desamparo
Sou de roer as flores
E de plantar os cactos...

Agora, imagine,
Se fosse ao contrário...

O amor é um céu de vime
E a lua, seu escapulário.