sábado, 31 de dezembro de 2011

TRANS_LÚCIDA

Luas
Multicor
Afastam sombras
Da luz terrena.

E eu
Fosse o poema
Vivia a construir fortes
Para guardar a morte
Que desfalece
                 Na lua cheia.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

HABEAS CORPUS

Que conste no autos
Cada evidência trêmula
                                   Das vossas concessões
Para que enfim,
Não nomeies o inevitável
Com os escrúpulos do todo-acaso.

A salvo os prazos,
Estão as prisões.

DORAVANTE

A poesia caiu do cavalo
E resolveu seguir
Adiante
Por sobre os próprios pés de estigmata
- Os seus punhos -

Jamais haverá de confiar seu vir a ser
A um quatro patas
Incapaz de livrar sua palavra
                                          Do infortúnio.

ESTOFO

Na glória
E à deriva
O vínculo simplório
Do reencontro
É o que rema a vida.

TUDO BLUES

Finalmente
O final diz a verdade
E você jazz era.

JURADA DE SORTE

Meu amor
É uma afronta
Imaculada
Sob as amarras
Da Literatura.

Liberta e sôfrega
- A mais honesta  -
De minhas súplicas.

Quisera poder arrendar
O meu peito ao teu amor
Como me invade a poética
A cada jura.

CUSTO BENEFÍCIO

Se Matisse
                Visse
A cor que o matou
Estaria em crise...

Jamais daria vida
- Ao dom -
Que pincela
                 Nas matizes.

SLOW MOTION

Era uma vez
Uma vespa amestrada....

De tanto voar presa
Aprendeu a morar no ar
- Suspensa -
E a morrer
                Em câmera lenta.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

OLHAR CLÍNICO

Acostuma
A me observar
Lírica e pautada
Na tua estética
Em minhas curvas.

Deixa que eu te escreva
O meu melhor é um porém
Se bem me mede
Há outras dúvidas.

DUPLO SENTIDO

Se você viesse
- Penso -
Eu não chegaria
A partir
             Do encontro

A sós, uma via.

DAS INTEMPÉRIES E DOS RISCOS

A cada dia
Convenço-me
Da transitoriedade
Do engano.

Há certas chuvas
Que trazem a colheita
De todo um ano.

ADVERSA

Te dou torpor
Amanhecido
De promessa
Sem garantias de volver à tua sede
Os meus pecados são da fonte, a rede
E eu, do verso.

- Ninguém -
                    Me versa.

SANGUE FRIO

Um poema
É vasta oferta
É fé, alerta
Em meu ventre
Um obstáculo.

Observa-me reluzir em tua pele
Enquanto me descobres anestésica coleta
O poeta que traz às margens a própria fome
Extingue a febre que lhe é concreta.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

LEGÍTIMA (in)DEFESA

Quero tomá-lo
Percorrê-lo em guerrilha de mouro
Quero roubá-lo acerca de ti
- De teu próprio ouro -

Mas não quero
Querer-te
Em vias de latrocínio

Só em último caso
Te redimo e descarto
Com um único tiro.

DA POSSESSÃO E DO DESAPEGO

Estamos
À beira
De um ataque
De termos.

Teremos
Nós
O devido
Tempo
De verbalizar
O dito
Efêmero?

Eu tenho.

ARQUIPÉLAGO

O amor
Preconiza
O que sonha.

Raios não são de verter estrelas
- Entranhas -
Mas de merecer
A lua que corta os céus
De Noronha.

DA LIMITAÇÃO DO AMOR E OUTRAS ABSTENÇÕES

Prometo de conter no olho
O que for de esmiuçar no verso.

Acaso te proponho 
De ver o mar no sonho
Não navegar o imprevisto
                                         Cego.

APELO

Explique-se
Evite-me
Eurídice
Morreu.

Motive-se.

METALINGUAGEM

Este poema
É a garantia
De que mesmo lido
O amor é um código
Que nos livra do óbvio
Não do risco.

O que não foi dito nos olhos
Permanece em sigilo.

SOBREVIDA

O amor é um parasita
- Trágico -
A debochar do próprio hospedeiro.

Hospitalize-o.

Tanto faz quem agoniza
O elo é um frágil
Descoberto na premissa.

Morrer de amor
É sobrevida.

OFICIOSOS OSSOS

Viro do avesso
O papel e o gesto
E te encerro
Em rima fria
Com mãos te ferro
- Te engesso -

Refrear o caos
Dá recesso

Não dá sílaba.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

DO EXERCÍCIO DA POSSE


Bem de onde
Ouço
A tua insígnia
Me calo
No sopro
E te verso
Infinita.

E a cada cor de mar
Maré vem
- Mansinha -
E molha-me a ponta do pé
Não sou bailarina.

Mas danço
Embalo o pranto
Em tua rima
E se choro
- Não te assusta -
A alegria não faz doer
De ouvir coisa alguma.

Sou menina de fé
Posso descrer se quiser
Há vezes moro na lua.
Não por sua imensidão
Taciturna
Mas por poder decrescer
E assim te esconder
Em rima de rua.

Eu sei
Eu te porto sem parecer
Flor de lótus
Ou adorno de chuva
Pois o que molha
Só irá respingar
Quando a lira
Por bem me deixar
Para enfim, ser tua.

domingo, 4 de dezembro de 2011

DO PRINCÍPIO DE TODAS AS SOMBRAS

Amo a extrema fosforescência
 - Fosca ao amar-te -

Amo esbanjar-te tolo
Enquanto enfeitas aquela outra
Com torpor de colheita
E nenhuma face.

E bem sei, te são tantas...
Uma para cada teu
Obra para todo quase!

Ainda que não eu
Escolho-me íntima
Para abandonar-te ao teu descaso
Somos ouro de tolo
Farinha do mesmo saco
Assalto teus prósperos verbos
E me encontro quando me roubas
De tua própria fé
Ao fingir que não sabes.

São os médios e graves
Que dão os tons do teu ego
Mas se te começo
Te acabo
O amor não foge a um cego
Só protege-se na arte.

DISTINTA

A tinta caprichosa
Do meu desaparecimento
Te assinala vasto
E a mim, omissa.

Vivo em cada nota lágrima
Que entre lencóis
A sós em teus braços
Se presentifica.

DA GÊNESE E DO ESTRANHAMENTO

Você
É meu bendito
Usufruto
              Unsual...


Você é meu empréstimo
Servo e tão astuto
Que sei
Jamais substituo
Ao final.

Você
É a razão
Demasiada
Plena
Meu equilíbrio
- Díspar -
Em quarentena
Meu santo graal.

Você
É minha hora
Salva
Subentendida
Você
É aquela mesma aurora
Ingrata e voluntariosa
Que digna e exata
Me permeia...

Você é meu verso
Meu enigma.

VIAS DE FATO

Pareço vagar entre meias-inspirações
Delírios de sóbrio em pirotecnia
Acima de meus braços
Está o absoluto diagnóstico
Faço votos mas te devoro
Como, 
- Bem -
Eu já temia...

Tento ser menos "Poe"
E dar mais espaço para o óbvio
Tento encolher minhas expectativas
Para estar ao menos prevista
No meu próprio descaso
Mas tu me reclamas o êxito
Quase que no dia-a-dia de nossas lavouras
Lavra a si dor
Como à palavra rege a boca
E me cala.

Fico eu subentendida
Em relatos de inóspita sobrevivente
A intercalar meus períodos de luto
Com tuas doses prematuras e tão típicas
Que às vezes
Pareço ler tuas sombras mais escusas
E iluminar teu próprio rastro.

Sei que no fundo não recusas
Mas é arbóreo o terreno etéreo do teu pensamento
Sei que de viver sinto o pleno
A léguas de prever assento
A poeira que levanto a cada ato
É minha senha
Entenda-me bem se assim puder.

Clara é a predominância do intacto
Vinga a reserva fina do acaso
Ao caso de ser perene
Precipito o caos da gênese
Ao que já me é um hábito.

Mas não habito o que me acende
Apago cada lampião exato
A ditar amarguras
Eu sou livre forma intercalada
Inequívoca o suficiente para submeter-te
À todas as minhas falhas
E às tuas.

O tempo é meu íntimo inimigo
E o mais bem aventurado.
Que queres de vencer 
 - É dúbia tortura - 
Se não sabes o bem viver 
Que te aguarda, a salvo
Na loucura?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

PONTO DE EQUILÍBRIO

Barroco
Tua voz arde
- Rouco –

No silêncio
A contrastar
                        En_ contraste


Eu,
Desencontro.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

SÓ_LETRANDO

Tem um espaço curioso
Em meu esboço
Quase fosse possível
Revirar o poema.

Sou avessa ao óbvio
- Como quem sente e simplifica -

Na verve há alma...

Não há na sílaba.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PARTE DE MIM

Não te espero
Porque te carrego
Íntegro
- E circunspecto -
Em cada frágil repetida frase
Quando coragem te é um verbo.

Não te espero
Porque a distância é exata
Entre o corpo teu que reage à palavra
E o amor meu que te elege, ereto!

E é por sempre estares perto
Que aperto o punho
E te faço um verso
Ora mil, ora cem
- Ora sem ti -
Te sei,
- Só, rezo -
E se é hora de dormir
Embalo a alma que deixaste aqui
Entregue à calma que te sabe
                                             Eterno.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

RESSONANTE - para Luiz Parreiras

Não
Que não seja
Dor
O que pulsa
                   Minha letra
Mas não é mortificante
Ou de comprometer
Minha liberdade
Ou a dádiva
De desprometer-me
                              Da caneta.

Só sei que calhei
De devolver ao papel
Os personagens expulsos
Do seu próprio enredo...
E não é mágoa
Ou pesar
O que dá esse tom
É o revirar
De um sóbrio
Medo.

Eu sei
Que dá de machucar
O que eu escrevo
Mas a ferida
Que exponho ao luar
Muito antes já se foi pra lá
- Não mais a tenho -

Poeta quando ousa reverberar
É que a dor que fisgava está,
No só,
           Do imenso.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

VOO SOLO

Sempre
Que quero
Te dizer
Um poema
- Calo -
Aperta o sapato
E de pé descalço
- Eu salto -
                   Inteira.

NÃO DIGO

Eu te amo
                Ainda
                Sempre
- E por enquanto -
Tanto faz
Meu tempo
                 Verbal.

ENTRE "AS"

Meu destino?
Destituir-me do extremo
Causa_dor
                do puro acaso...
- O des-A-tino.

OBVIAMENTE

Eu encontrei nos teus olhos
A mesma (e viva)
Latência
Quase presumida e não extensa
Aquela mesma
Que te rende e me principia
A poesia
           Das evidências.

AUTO-INTERFERENTE

Tenho a impressão
De que o tempo
Só passa
Pra me manter
- Deveras -

Atemporal.

ARTILHARIA

Há uma singela
E extra
Curvatura
No recôncavo-gênese
- Na literatura -

Há um sentido sui generis 
Que enfim, não cabe à letra
- Nem perdura -

Pendura as chuteiras
E calça teus tênis...

Poeta bom de pênalti
Não merece 
Perder a falta 
                    De ternura. 

GERATRIZ

Eu mastigo
                Cada bendito fruto
Resumido.

Em meu útero
- Um parto abrupto -

O que não me sai à luz
                                   Re-significo.

SÃO LONGUINHO

Eu escolhi
Encolher
Pormenores...

Por maior que seja o detalhe
- Generalizo -
- E esqueço -
O objeto que me deixa, vivo

Eu perco.

SENTENÇA

Cantar a morte
Evoca
Instintos de sobrevivência.

E eu calo.

É do silêncio
Que se ergue
                    O estrago.
                                     

ESPAÇOS - A Paulo Leminski

Tá aí
Agora
Vir
- pra perto -
Vai te levar
                Mais longe.

SÓ_TÃO

Escarlate
Eu bebo
Eu vejo
- O vermelho -
Em teu sangue
                      Não há sorte...

Quisera poder reverter
Tal tua arte
Essa cisma
Contínua
De decrescer à catarse.

Bem que tento
Ser porquê
Quando o que me resta
É pedir mais uma dose
Em dócil esmero
Ou em frase...

Frágil é o recesso
Do meu eu
- Eterno -
Em diálise...
Dia-a-dia
A análise
Anáfora
Presumida
                Em overdose.

Não fossem os fósseis...
Admiro-me dos sósias
- Do espetáculo -
Espero em Espártaco
Que sem rever
Espantalhos
Minha horta norteia
Aos dons do semi-árido.

Deserto
A desertar Herodes
Heróis não sucumbem
Ao estupor dos que matam
Mas aos que em tanto
Disparam os seus cantos
Em in_pacto!

Te dou o meu sótão
Para que possas absorver
Isóbaros
Indignos de super exposição...
Te escondo, então
Se te acham
Não me roubam
- De ti -
Resta um simples
Auto-retrato
Não um léxico
Mas um leão
A devorar
               O meu porvir.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

DO HIPOTÉTICO ÀS RETICÊNCIAS

Ele:
- Flamengo? Nossa... Essa sua paixão é recente...

Ela:
- Relativamente... Nada comparável àquela, sabe? Que é atemporal...

Ele:
- Paixão atemporal não é paixão....

Ela:
- Não mesmo... É aquela outra coisa, sabe? E nesse caso, onde há temporal, há chuva...

Ele:
- E quem sai na chuva...


Ele a olha nos olhos e fecham-se as cortinas.

Naquelas horas
- Adiante -
Só relâmpagos.

TEOREMA DO ABSTRATO

Te sujeito ao oculto
Mas o que cultuo no mundo
É o teu nome.

Toda e qualquer nova via
Será acesso
Aos teus mesmos caminhos
- Nossos cenários -

Odes inteiras, sonatas
- Meu presságio insone -
Não haverá nunca
Dose qualquer ou mais lúcida
Do que a convicta louca
A merecer, escrita
A tua música...

Por isso, te peço:
Vê se pulsa o objeto direto
Que embala minha rima
- Faz mais de um século -
E me escuta:

Acaso me escreva
Um jazz ou blues
Não me negue às notas
- Ainda que em forma bruta -

Tanto faz o tom de azul
Se fizer de minha
- A que for tua -

E não me fizer
                      de conta.

INSUPERÁVIT

Tudo o que fala
Guardo
Gravo cada pedaço
Recortado
Em nossos nós
De aço.

Sábio
Bem sabes de nós
Mas eu só,
- não sei -
O que faço
Com cada frase
Ali no "timing"
Do teu super ágil
Verbo
Que me invade no cego

E me sabe.

EFÊMEROS ROTEIROS

Já te vesti em tantos personagens reunidos
Tantos efêmeros roteiros
E empréstimos prévios
De amor
De_méritos
E detritos...

Já te substituí meu íntimo
Meu inteiro bem de moer meios
Já te arrendei um livro inteiro
Te descrevi em dedos
- Medos -
E nunca te fostes
- Bem -
Só quando ainda
Tu eras cedo.

Mas agora eu vejo
Esse meu extremo corpo coeso
Extratificado em verso
Imerso em seu próprio som
Imenso-mar, profano amor
Bem de consumo.

Pra bem falar
- O primeiro -
Em cor, eu assumo
- O único -
A estréia quase secreta
A embalar sempre às vésperas
Cada poema futuro.

E ainda há hoje
Em nosso ontem,
- Encontro em vulto -
Não me esqueças
Ainda que não me aches
No tanto em que te procuro.

ATEMPORAL - A Luis Kiari


Sei que o dia nosso
É nosso quase todo dia
(e noite),
E escrever sobre o outro
- ou para o outro -
É reverberar ninguém
- E todos -
No puro ofício,
até os ossos
A fé recria.

Pode ser ócio,
Credo revirado no próprio ateu
Que vê no ilógico,
O relógio
- ponta de lança -
A cronometrar o caos
De ainda verter
Esperança

... Ainda assim,
Salve poeta dada a inutilidade da data,
Pois o teu dom não cabe na fresta
De porta qualquer que se abra.

sábado, 15 de outubro de 2011

ANTES TARDE

A poesia, meu caro
Não é um dado exato
Tão pouco um espelho bem virado para os teus olhos.

Se te digo que são teus
- Os poemas -
E neles não te vês
Penso que talvez
Falte mesurar-me
- Para além do traço teu em minha carne -
Ainda que me temas
- Como tua -
A cada vez.

Meu tema
Tu e teus olhos a esverdear fonemas
Tuas crises
Teus acessos de sinceras e abruptas barreiras
Teu ser de lua sensível em fuga
Mas tão elouqüente
Quanto o ciúme que te brota premente
- Em rara coragem -
A vagar doses súbitas.

Subo ao palco
E escancaro teus traços
Na minha escrita
Me atiça e me corre
Mas não me foge
Na cama
É beira
É briga
À beira de um ataque
- Desejo -
Eu te provoco
Eu te rogo
Mas não te beijo
Acaso sou eu de dividir o imenso?

Não te esqueço...
Mas se não és meu
Finjo que o és
                      E te cedo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

CÚMPLICE

Abrigo
Brutas
Rotas
         de fuga.
E nunca
Fico para permitir...

Assusta.

DOMÍNIO

O dom
É um modo
Raro
De acontecer
O óbvio.

SEGUNDA

Sono
Nosso
Som
Manso
"ON"
Modo "sleep"
Eu te acordo
E pronto!

É domingo.

NA ÍNTEGRA

Te escrevo
Para que entenda
A natureza constante
Da palavra.

Isso é o que sou
Não vaga.

DE-EXISTO

Meus poemas
Fogem
E pedem resgate

Me juram a liberdade
De nada esperar
E cronometram no tempo
O seu ritmo.

Meus poemas
Só existem
                  Se desisto.

ARRANJO

Cansei, canção!
Não quero mais ouvir
O "quem são"

Não quero mais o que ressoa sem ver
In_versão.

COLHER DE CHÁ

Como me recolher
Em tão rasas porções
A adoçicar
Recém_timentos?

ASSALTO À MÃO ARMADA

Mãos ao alto, poeta!
Largue o lápis
Entregue a frase
E furte a cor
                 
Da caneta.

NOCAUTE

Hoje me recolhi
Do "luto".

Não quero mais parafrasear o mudo
Para sinalizar o medo.

Hoje eu cansei do tempo
E submeti-o ao final
Afinal
O que jaz
- No fundo -
Não é fé
Mas convicção
                       do efêmero.

SEGURO DE DÚVIDA

Eu quero ir
Pra onde
Não existe lugar
Nem nome.

Eu quero partir
- Sem chegar -
Já basta
            Do que some.

Mas se vens me buscar
Eu fico...

Longe.

LIÇÃO

Me ensina
A dissimular
Nas frases
O que não me permite
Aos teus ouvidos.

Assim teríamos
- Em trãmite -
O indiferente

Não o restrito.

INTÉRPRETE

Corro como um "até então"
- A passos lentos -
Disparo paixões recolhidas
Na pulsão de seu subentendimento.

Quem me crê
Não me vê
Coreografar
                   O silêncio.

ABDICAÇÃO

Larga
A probabilidade...

Existe.

ANESTESIA

Tenho petrificado brutos.

Abruptamente
- Dói de vez -

                      Dor_mente.

DESFRAGMENTADA

Que sou eu?
O mesmo amontoado
Anestesiado
A prenunciar desejos?

Um ser
          A menos
Em detrimento
A tantos outros que abandonei
Mas debandaram-se
Pra dentro?

Que sou
Ao ser
Inteiro?

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

SURDEZ

Larguei
O limite
E te ouvi
Ressoar
            tal timbre

Em minha solidão
                          Limítrofe.

POLAR

A bateria
Tá me deixando
Sobre
         Carregada
Tomada pelo acesso
Dos teus braços...

E é tanto fio
- Da meada -
Que de vida útil
Só resta mesmo este poema.

DIVINO

Tá...

Vamos deixar de ser
Para quem sabe
                        Permitir.

RÉPLICA

Não me fale de ausências
As tive todas
Tolas e completas.

Não me fale do compromisso
De meus direitos adquiridos nos teus
- Lascivos -

Não me fale dos sorrisos
De quem te espera
Do trem, da terra
Incalculada nesse meu ventre de distância.

Não me fale das reentrâncias
Da superfície parodiada do teu medo
Não me exponha ao veneno
- Fascínio -
Se não pretendes me expurgar tal teu antídoto.

Não me fale dos riscos
Se ao te escrever já te vivo
Há meses, em pré-âmbulo.

Não me fale de teus motivos
Se não puder ouvir o ridículo...

Eu nem ao menos sei
Porque
Ou se
           Te amo...


É possível?

SER RESTEIRO

Seresta...
Se resta ao Seresteiro
A sonata incompleta
Faz-de-conta que o amor
É só o que resta do poeta.

REMIX

Tá tudo remexido
Remixado
Na batida
E no sem freio
No bem a salvo
                         do silêncio

E o meu peito
É só um simples seresteiro
A cancionar o teu estrago.

LEGÍTIMA

Fui musa
Intrusa
Volume adulterado
A corroborar vocações.

E eis que entregue a ti
Me fiz parte
Dissonante regra
A arder o impasse
Que pasmém, tu celebras

Em interface...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

DITO FEITO

Filosofia
Filho
Sofria
Fi-lo
Sofisma

Sou fria...

Sofistico
             Ilusões.

OSÍRIS

Guarda-me
- Palavra -
                 Da chuva
- Gota d'água -
Enquanto
              For sedenta
Essa ilha
             Inspiração.

CABIMENTO - para Ferreira Gullar

Assombrosa
A cognição
Do nada...

Em transposição
                         É vaga.

EVITA

Carrego
Comigo
O delírio
Uno
De
    Multiplicar-me
                          Leve.

Levito.

(Em tese)

NULA

Aceito
Quase
Tolas
        As imaginárias.

Azeito
Frases
Soltas
Em nós
           de estática.

PRESENÇA

De_lírio...

Flores
Fenecem
No campo
                 Exato
- Magnético -
                           Do parecer
Em terra...

São espíritos.

DALILA

Ergo mortes todos os dias.
Ermo, te mostro aos tolos desta lira.

TEU LIDO

Afago
Há fogo
A troco
De quê?

Acender um sem sono
Se ao ver faíscar
Faz-se da isca, um tolo
                                   A tolher?

CO-AUTORA

Co-autorizo
Contra_bilizo
-Símbolo bíblico -
Esse

       O do intransponível.

POEMA DE RAIZ

Experimenta
Ler
De cabeça
Pra baixo
Enquanto plantas
Teus pés

                        No abismo.

RESET

Ser_teza
Eu sou
Tal
     Vez.

GREGORIANO

Vômito...

Vou mito
E revolvo-te
O enjeito

De meu próprio
Organismo.

MESMICE

A escolha
É escola
             De repetir
Sincretismos.

Mas a fé
É Apenas
Um Eu_fé_mismo.



Eu

    em mim,

Mesmo.

VARSÓVIA*

Eu procuro
Mas temo o medo

7 vidas
Só tem a gata.

Eu tenho gueto.



*A palavra veneziana 'ghetto' era o nome de uma ilha onde existia uma fundição que fabricava peças para a artilharia da cidade. Mais tarde, quando os judeus de Veneza foram obrigados a viver nesta ilha, fugindo de perseguições, o local passou a designar uma zona isolada onde vivia um povo confinado. O Gueto de Varsóvia foi o maior gueto judaico estabelecido pela Alemanha Nazista na Polônia durante o Holocausto, ao tempo da Segunda Guerra Mundial.

MINUETO

Fico achando
Poemas perdidos
Por entre absolutas
Certezas
Resguardadas
De dúvida.

Resgato-as
Se é por entre meias- palavras
Que te salta
A minha óbvia
Garantia inesperada...

É terna
E deveras simples

A sonata.

PLANO INCLINADO

Eu recorro à beleza
- Dos meus planos -
Como antítese
À estética
Que os abala.

POEMA VERTICAL

Há morte
No monte
Prévio
Do meu norte.

Há norte
No monte
Prévio
Da minha morte.

Há um não
Tão nobre...

Des-monte
Que belo é o horizonte...

Estou em choque.

PÔR-DO-SÓ

Quando o sono
Me abriga
Na libertária
Sensação de finalmente 
                                  Ter anoitecido
Me adianto
E deponho contra o sol
Meramente um astro-rei 

Remissivo.

Raios ultra
Violenta é a cor 
do pacífico.

TECELÃ

O que sinto
É assim tão imenso
Mesmo AMORtecido
- Em meu hábil silêncio -
Eu te escrevo
Agora
Por hora
Ora compulsivamente
E cada verso
- Tão só -
É o mesmo

Eu, te amar
Pra te escrever?
É só um pré-texto.

domingo, 18 de setembro de 2011

ACIDENTE DE PRÉ-CURSO

Disparo

Contida

Pelo impacto

E te encontro

No vai e vem

Dos carros

- Agora em meu quarto –

Estou a salvo

E minhas paredes distraídas.



O ir e vir não é um pacto

E neste caso

Bem mais do que uma ironia imprevista.



Atravesso

Teu trajeto

E te injeto

Adrenalina

Da pura

Na veia.



Não me venha

Com saldos

- Inexatos –

De tuas análises

Científicas

E nem alheias.



Sei bem

Que estive em cena

Em plena teia

- Não que creia –

Em jogos de parafrasear pecados.



Sei bem do gosto

Do gesto

E do gasto tolo

De teus verbos todos

A fim de explicar

O inexplicável.



Não te assusta

Se sou de escrever

Teus dados

Quase a roubá-los

Ainda que no vir-a-ser

Excedidos.



Não te apavora

Com a loucura de minhas notas

De minhas histórias

Do que sequer

Possa vir a ser

Ou tenha sido.



Eu sou

Essa excêntrica

E tão óbvia

Garantia de sinistro.



Eu sou um acidentável

Comumente reprimido

Eu sou um resgate

A encurtar a dura-máter

Do teu olho castanho.



Eu sou um seguro

Resguardado

Automático

A reavê-lo apenas no fantástico de teu sonho.



Eu sou um desastre enviado

Quiçá por um anjo raro

Quiçá por um sem motivo estranho.

domingo, 11 de setembro de 2011

VINTAGE

Imaginei-te magenta
Uma lúdica interface de cometa
Acometida de labor em osso novo
A oscilar em céus o contraste do meteoro.

Rota de colisão
- É Córdova - 
Acorda e drena essa costa!
Que de pena não nasce a cobra
Nem de bote se resgata Lorca.

Há uma só arca
E Noé mora é na cidade maravilhosa.

LONGITUDE

Enebriei tom marrom a verter tempo.
Mas a contento,
Nada tenho além do Equador
A ecoar rumo ao centro.

DUBLÊ

Ouvi uma sátira carmim em manifesto...

Era meu lábio em tua jura
A me conceber em mais um verso
Novas chagas de festim.

CONVERSÃO

Afasta a dor com cautela
Posso não suportar o atrito
Da flor com a leva
Leva-me quase ininhada
Se já fui tua
Não sou ninguém
- Em um nada -
De detritos.

Afasta desta minha costela o grito
O ardor que ainda a conserva intacta
Afasta a dor
- Caso ainda me queira -
Afasta essa dor alheia
E seja lá como for
- Não creia -
Em santos ungidos na água benta
Que tanto receias em beber...

Beba desta lauda em veia
É sangue, não fogo de palha
- Mas lenha -
E se queima
Acesa, sou freira
Mas atéia
Até me provar
Que já posso crer.

MAJESTADE

Eu me afoguei no teu olho
Liberta da sequela do ir além
Era tanto, que tonto
Tu cuspias o rosto
Ora suposto em gesto de bem...

Meu bem querer é um outro
Contanto há o mouro:
 - Rei morto, rei posto
Não resto, porém.

sábado, 10 de setembro de 2011

FÁBULA MODERNA

Tem gosto de ferro em minha boca
Não fosse a pouca roupa que me cobre os ossos
Eu seria um rock a pleitear mais devotos
Do ópio de Pocahontas.

MARGINAL

A margem é tudo
E um Rei a guerrear em Canudos
Pelo combate sem lei
Eu, Manoel José da Silva
Serei na fé e na doutrina
Um pároco do bem.

À PRIMAZIA DA OPRESSÃO

Vívida
Levito
A carta de alforria
E me comprometo.

Meu verso é um pleito
Dissociado da paixão
- Pérfida rima -
Dela só me acometo
Pra libertar o que no peito
O poema não confina.

Minha liberdade é existir no enjeito
Não no engenho
De matéria qualquer que me oprima.

RISÍVEL

É possível
Paradoxo
Requisito
- Tóxico -
Esse teu prognóstico
De antever
Meu sorriso
Sem pretensão.

DISPARATE

Eu estive ali
Para além do quanto
Me coubesse o teu porvir.

Por falar em ausências
Calhei de dormir
Sob vaga premissa
A disparar em meu peito
Aquela mesma batida

Difícil...
Então resisti
Mais intensa
É a cor de partir.

SIMULTÂNEO

Nunca
Escrevi
Tanto
Em tão pouco
Espaço
De tempo.

Sempre
Ouvi
Teu pranto
Em tantos outros
Amontoados
De silêncio.

Mas agora
Eu te escuto
- Não te estanco -
Não tenha medo
O absoluto
É um lapso
Quântico.

QUERÊNCIA

Confesso!
Eu não queria...
Mas querer
Nada tem a ver
- Com você -
Ou com poesia.

Aqui tudo posso
Versos são apenas ossos
Do ofício.

Papel A4
Não cabe
Em minhas impressões.

À primeira vista
Secundária é a vestimenta
Do desejo
Mas o que impera é a intempérie
Do próprio tempo.

INDISPOSTA

O que há
Em haver?

Basta
Estar
Ao alcance

Cansei.

Não há
Outra chance.

SILENCIADO

Como verte
Comover-te
Como ver-te
In_verte
Meu sentir
- Redimensionado -
No comedir
De teus devaneios.

ÚLTIMO ATO

Eu sou
Quem tu és
Éramos nós
Seremos sós
Dois sóis
A amanhecer lençóis
De despedida.

SÚBITA AÇÃO

Nunca amei
Tamanho
Reconhecimento.

Esse som
Esse insano
Em sonho
- Tão bom -
Meu alento.

Nunca...
Eu amei

Ao menos.

GRADUAL

Não quero
Abrir
Mão
Olhos
Dar-me conta do óbvio
Não quero
Querer
Os teus lábios
Meu presságio eterno
Do que nos pertence...

É um princípio
Não um pra sempre.

A_TEU AFETO

Tu tão vivo
Tu tão vidro
Transparente
E altamente quebrável
Frágil
Franco...

Esse meu altar movediço
É teu, por enquanto
Mas só enquanto a minha oração
Mover o teu coração
Não só o teu Santo.

UNO

Eu
Meu amor
Em ti
- Extensão -

Não distanciamento.

CÚMPLICE

Significantes me assaltam
Ao pé do ouvido
Eu corro
- Enquanto os ouço -
Meu peito, oco
Em vão, armado
Entrega o ouro
Ao bandido.

ADIANTE

Exato
Execra-me
Excreta-me
Ex-croto.

Esôfogo
Sou fogo
Engasgo
Engano
Esgano
Derreto
Decreto
De outro.

CESSÃO

Cedo
Se tarde for
O pertencer
Por direito.

LITER_ATURA

Quisera que possuir a palavra
Me conferisse o direito
De libertá-la.

Esse dom
- Nunca tive -

É da fala.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

LE RETOUR DE LA ROUGE

Estou de volta:
E mais!
Voltei de cósmica abdução re-inventiva
Estou de volta à aldeia instantânea da minha vida
Um tanto mais bucólica
Não mais carbônea
E em tinta de insônia
Adormeço o vasto
- Que resume em falso -
O teor da minha lida!

Eu lido é com a vívida expressa
Na cor que vibra a promessa
De não mais arrefecer diante à dúvida.
Entre odes e certezas que tenho
Há apenas o pacto tão sigiloso em denúncia:

Estou de volta
E agora
Já posso ganhar o jogo...

"Não contavam com minha astúcia"!

(Paris - Outubro/10)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

FAZ-ME DE CONTA

Há vezes
O amor tão grande
Só resta
Ao multiplicar-se...

Nu
Silêncio
Esconde-se.

Só não me peça...

O que eu te dou
É a outra face.

sábado, 6 de agosto de 2011

DEUS TEMIDO

Estranha essa posologia barata
Que careço de suspender dimensão.

Diminuem os sãos
E há sal nos grãos
Do descarrego.

Não há
- Lúcida -
Uma só razão
Que justifique o dom
De quem DOMina
O próprio medo.

TESTEMUNHO

Eis que a insone
Sucumbe ao sono
Embalada pela sonata
Do imprevisto.

O impacto que a desperta
Não a acorda do silêncio
Mas do precipício.

Luzes inexatas
Refletem novas órbitas
Aos seus olhos misturadas.

Eis que ressurge uma outra ótica
- Agora lógica -
E indefinidamente sensata.

A do princípio.

ROLETA RUSSA

Se a coragem
Colorisse
A risada triste
Que hesita
A pena não seria um rifle
Sempre apontado
Para minha cabeça.

APOLOGIA

Há na parábola
Uma paranóia
Resumida.

"DESISTERE"

Há uma palidez adjacente
Em tais adjetivos
E eu, mal consigo
Ocorrer em mal signo
Sem fáscinio pela súbita
Técnica do desastre.

É latim?
Eu declino.

Me desate...

Há destino.

IMAGEM E AÇÃO

Hora
Me invade
Esta ternura
A cronometrar
Paradigmas.

Digna
É a obra
Devasta
A Autora
Resta a aurora...

Horizonte de quem vinga.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

FATOR

Resulte-nos.

A equação
É por tua conta.

OFICIOSO

Talvez
Meu maior
Pecado
Desapareça
Na gênese
Do poema.

Vida longa
É um prazo

Não um lema.

HOMÔNIMA*

A vida é boa
A vida é dela
E revivida
É Cinderela.

Dom divino, dom na terra
Esta, que gira infinita
Tanto traz que quem nos leva
Em cada rima fica à vista
O que dizer se é eterna?

Ela, Natalia
Cor tão fluída, flor de Hera
Quis a vida
Sempre ávida
- Não escrita -
Quais guardá-la tão bendita
A nossa linda Cinderela.

Vida boa
Vida bela
Só sei que é bem de noite
Que ela, doce, se revela
A cada insone badalada
Das doze que encerra.

Noite-dia virá hoje
Nossa viva Cinderela
Faz encanto e nos espalha
O ser no tanto que nos separa
O dom de ser
Quem sempre és
O dom você,
Nossa Natalia.

* Poema escrito em memória de Natalia Soares de Melo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

RESGATE

Fitava a sobra de seu desaparecimento
Quase que em um frêmito de claustro e amargura.

Eram lustres e obras despencando em torno de seu leito
Hora vozes de um suspeito a detê-la em cárcere sem uso de força bruta.

- O ódio não impera aos distintos - repetia em mantra, sua voz aguda -
- O labirinto máximo de quem tanto perde
É a curva breve
De quem se encontra.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

EVOCAÇÃO

Há um quadrante de luz
Quando ascendo o quarto
Assim quase exato
A mergulhar estrelas.

É um egresso de medos
- De mesmas tristezas -
É pressa desnuda
É no vão, um raio.

É um vago vassalo
Em superfície litúrgica
A prospectar-me translúcida
- Esfinge de amparo-

É um hábil e tão breve
E disforme
Presságio
Que me transbordo em sangria
Discorrendo sob pele fria
Um estranhamento que me é exato.

A vida é turva
E a inspiração tão breve
E há essa bruma a exaurir-se em manhã
Amanhã, quiçá, não me espere
Oyá Eparrei, minha mãe Iansã!

INICIANTE

Acabo-me
Por reconhecer
Minha inquietude
Cega e irrefreável.

É a temática do absurdo
Consumindo-me aos poucos
É o gigante adormecido
Despertando de seu sono lúdico
Hora fosse um súbito
Em meu verso, inválido.

PREMISSA

Ser
O sentido
É quase como morrer
Antes mesmo
De ter nascido.

Sentir
Anula
O que tem sido
Ainda que venha a ser
Só se é o que te sou...

E eu,
Existo.

BEM MEU

Todo som
Te repercute
E eu
Tento em vão
Cegar meus ouvidos.

Quando me dou conta
Da natureza irretocável desse desejo
(Em desamparo)
Resolvo coexistir com o limiar de distância
Excedido por minha letra
Não sei se serão tuas
As liras ou as borboletas
Mas ainda assim te resgato
Pois é como se eu já te tivesse inventado
Desde o meu nascimento
Para só então encontrá-lo
Ainda que (in)digno de merecimento.

No entanto
Não hei de te guiar
Tão pouco ao teu voo
Sem acerto.

Há muito já sou tua mulher
Ainda que não saibas
Se é bem-me-quer
O que te provoco por dentro.

E é por não enxergar
Que te enfeito
Quase como se fosse reanimar
A veia-cava que vem desfibrilar
O efêmero.

E já te sou
Como havia de ser
- Um engenho -
Em seio alimento teu som tal silêncio
Quase como se houvesse de haver
Juramento.

E eu juro:
Jamais te darei
Meu tormento
Ainda que te torne a me perder
Eu apenas
Te pertenço.

DISTORÇÃO

"Tem uma parte de mim
Onde ninguém chegou ainda"
(Lucila Nogueira)

Fragmento
Flagro
Largo
O fomento

Te pressinto em verbo
Em signo
- Galeano -
Abarco tuas críticas
Como o resgate pronto
Em tantos outros mundos
Em oceano.

Eu te proclamo
Vida
Verve
Âmago
E em quase pacto
Eu te descarto
Porque sei que não te amo.

FIO DE CORTE

O Samba
Carrega em si
Uma senha
Que me sangra
Secreta.

APENAS

Não estou
Em vezes
De sentimentos
Alheios.

Eu
-a penas-
sinto.

TODA PROSA

Preciso desapegar-me
Do automatismo da síntese...

Poiesis... Estou em crise.

Preciso não retomar
Mais movimentos refratários

Mas verter e verter
Pra depois
Me morrer

Ao contrário.

PRESSÁGIO

Dois
Mil
e onze.

E hoje?

Quiçá te fostes ontem...

E eu?

Dois mil anos adiante.

VAGUE

Sopra
Leve
E deixa queimar a língua
Em Nouvelle.

QUINTA

Terça
parte
Manhã.

Em chamas
Atravesso a ponte
- Azul híbrido do céu -
E tal te vejo
- Reverbero -
O meu norteio é um cego
Ao estupor do papel.

VULGO

Arrendei o peito
A render um pacto
Não arredei o relho
E agora me rasgo
- Santa -
Enquanto a renda branca
Mal cobre
O meu prosaico.

REATIVO

Eu me apaixonaria por você
Fácil
Fácil
Mas nada de facilitar a sua vida.

Se chegar um pouco mais perto
Talvez
Encontre uma rima atípica
Dessas de comprometer estímulos.

E assim te quebro
E assim me caibo
Em teu ritmo, elíptica...

Não é a cisma que te ressoa
- Batida -
Mas o óbvio de nossa química.

ENCURTADO

Há vezes
Horas
Penso
Ser-te meu
Todo o meu verso
- Não vazio-

Mas se venço
O tal pré-texto
Tão pouco rogo
Ou adormeço

Pra te deixar
Te abrevio.

terça-feira, 26 de julho de 2011

CORRESPONDENTE

Se Deus quiser
Meu desejo existirá
Em nome dele.
Dádiva mútua
Ninguém se dá
Se vem Daquele.

DEMASIADO

Pra ti

Não


Superlativo.

IMPRECISO

Confesso
Com fé
Professo
E se der
Te esqueço.

RETIRANTE

A tristeza de cada nota
Cabe exata
Em minha lira.

Mas se é do som
Que ela se ergue
É de mim
Que se retira.

O cosmos é uma dádiva
Milimétrica é a mente
Repartida.

PROPAGADO

Nos teus olhos
Há intempéries à sombra

São meus vultos.

IMPROCEDENTE

Para quê abrir a alcova
Se covarde
Não te vales
Da Loba
Mas te assombras
?

CASO À PARTE

Caso
Eu não
Sobreviva
Cale-se
(Case-se)
Mas exista.

PARAGENS

Não te comparo
Pois amparar
Estrelas
Pode soar
Atemporal.

PRÁXIS

Ainda há de me valer
Cada poema mal-escrito.

COMPOSTA

Fecha a gaveta
E tranca a porta
Posso chegar-te
Por entre meias-palavras
Ou frestas imensas...

Resta ver
Se me nota.

RISCO DUPLO

COINcidências?
Aposte suas fichas.

domingo, 24 de julho de 2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

MITOGRAFIA

Nem é você
Talvez nunca devesse
Ter sido
Eu.

Eu mesma
Eu resma
Eu-diálogo-infinito-auto-palpitante
Eu, um verso bendito
A perder em si
O instante
A queima
A quimera exata de virar pó
De Prometeu.

PILATOS

Eu juro
Que não te daria
Juras

Eu te desprometo
Promessas inteiras

Eu lavo as minhas mãos
No teu sangue
E das alheias

Eu fujo das manhãs
Como quem as teme
- Estranha e pagã -
Mas vai à igreja.

Eu, quase você
Um desastre competente
De proporções em anestesia

Eu, esse teu estoque de razão
Que em vão
Percorre o dom
Que te anuncia.

PROSPECÇÃO

Está próximo
O dia.

O que entardece
É um só raio de sol
Que o horizonte
Realinha.

NOVA ESTAÇÃO

Ando
numas
nuvens...
- Coube flor -
Não cabe a rima.

AO VALENTE VALETE E OUTRAS ASTÚCIAS

Perecível...
Parece crível
A tua vasta oferta
De pecado.

Não um gosto
Talvez dois ou três
E tudo o que jamais se foi
Agora imerso no depois
Desfalece em próprio rastro .

Tanta mesa posta
Tanta resposta
Para novos extratos
Nesta vasta
Estratosfera poética
Que nunca
Mas além do mais
Nos basta
À vida.

Artista
Meu apreço de poeta
Que ainda assim se proclama
Uma dama
Ademais da lira e do escárnio
Há o drama que pulsa a vida
Tal o sabor oculto no damasco.

EM-CARNE-AÇÃO

A poesia deflagra
As mais diversas
Singelezas

É só a véspera
Do teu novo despertar
- linha destra -
Entre o famoso ver-se-já (versejar)
Resta ver
Se verei
Nesta.

PUBLICADO

Te livro
A cara
E o preço
É a pechincha óbvia
Do meu afeto.

Te livro
A cara
Mas tu és réu,
Confesso.

LATIFÚNDIO

Não te preocupa
Em ocupar
Espaços.

É todo teu
O território legítimo
Que me pulsa
Estando ou não
Em teus braços.

Não te preocupa
Em dignificar
Teus esforços
Por natureza
Não tenta me demover
Da destreza
Em coabitar pleonasmos.

Não nasci
Por puro acaso
Ventre-espasmo
Eu que gero
Me desfaço.

Não te preocupa
Em reconhecer o irreparável
Mas em reparar
No teu desejo e no que crê
Enquanto hábito.

Me compõe
Um verso
No sábado
Pra que eu possa merecer
O bem supremo do domingo
Além do lógico que é de lei
Há o acaso que vem vindo.

NA PONTA DO PÉ

Céu
Seu
Eu
Breu
Bruma.

O que permeia a névoa
Não é eterna
Tão pouco
Qualquer uma.

DISRITMADO

Há um nome
Um tema
Redecorado
Em cada cena

Há um nome
- E não que eu tema -
Renomear uma vida inteira

Há um nome
E uma letra
A denominar-me
(Não me preveja)
Literal.

ABSTINÊNCIA

O que mais acho
Procuro
No inculto pronome
Possessivo
Quase como se estivesse
Vivido em outra época
Em outra épura
Em um olhar transgredido.

O sinal
É um alerta
Insípido
E o poeta
Que antevê
O amanhecer
É um pároco
Que desfaz-se em símbolo.

É quase o mesmo abalo que habito
Ao atravessar teu olhar
Então, adicto.

RESSONADO

Acordei
Irreparável
Abalo sísmico
Em quarentena.

Acordei
Rastro limítrofe
A parodiar em síntese
O sono que já me é
Enferma.

Acordei
Em solo íngreme
Em voo-hímen
A estrear novas estrelas.

Acordei
Um cado triste
Pois sei que só existes
No adormecer de meus poemas.

AUTÔNOMA

O poeta só existe
No enquanto
De seu ato de escrita.

Isto feito
Deixa de ser
- Por hora -
O que só então
Significa.

NON SENSE

Hoje faz um ano
Que comecei a te perder.

Mas a contradição existe
Para além das minhas lembranças.

Pode ser
Que tudo
Não tenha
Passado...


Ou semântica.

POSTERIDADE

Ainda que a poesia
- Ressignifique -
A palavra
É pra sempre

- E pra sempre -
Não existe.

APREN_DIZ

A poesia
ilegitima
A cria.

Ainda que lambida
Passa a desmerecer o vão
Quando não empírica.

O rebento é um dom
Que só a fé
Ensina.

terça-feira, 5 de julho de 2011

P&B

Vou contornando teus lábios
E separando-os da doçura
Vou tateando teus oficiosos ossos
E me libertando dos teus braços
Vou debatendo-me em teu peito
E a cada pulsar perfeito
Recolho-me ao eleito
De minha própria nostalgia.

Nós tal tua linha...

Bem-aventurados na cura
Na sublime clausura
Das minhas
Das tuas
Fantasias.

Vendo-te
Ceguei mais uma trilha
Sonora é a foz de onde ressurge a minha lira
Aqui, quase abafada conforme a fome de ser sozinha...

E foi nesta ausência que me deste companhia
Em cada espaço enfeitiçado
Pela natureza tão finita do dia-a-dia
- Acordar e não ter-te me alivia -
Pois o teu toque ressonado
É puro, santo, quase sacro
Resguardado de tuas fugas de alquimia.

Sei de tuas fórmulas e correntes sem despedida
Mas é despida que desafio-te tal teu sono
Em recaída.

Não creio em amor
Que só ame o que já não cria
Não creio na reinvenção de próprias sílabas
Creio e apenas
Em fé que não defina
O amor de uma mulher
Ou de uma fêmea em voz ferina.

E sangro
E sigo
Enquanto não estanco
O pouco canto que bombeio
- É meio -
Em meio a tantos inteiros
Há um silêncio
No qual te reconheço.

Mas te deixo
Equivocado
E não suponho teu pecado
Não perceber
Minha voz tão limpa.

E ali se vai outro feito...
Quando tu vires que bem faria
- Esquecer -
É só querer
E desbotar-se
É bem diferente
De virar cinza.

domingo, 3 de julho de 2011

ALIBI

Não
Há nada
Que possa
Ser dito.

O sentido
Suprime
O veredicto.

Convicto...

E não há nada
E não haver
É só um aviso.

sábado, 2 de julho de 2011

PRÉ_VISTA

Tem um rasgo de olho
Presumindo o meu sentido
Se não olho para os versos
É que vendo-os
- Disperso -
Na prioridade zero do meu outro.

Há ouro e estanho no que cobre tão estranho
A passagem em teu voo.
Sabes que de contorcer a palavra
Esfinge é a idéia.

Li tantas esferas em poeta, reunidas
Reuni-me filha
Dádiva de promessa esquecida
Não te esquece
Há muito me conheces
E de mim não duvidas
Te dou uma, duas ou três cismas
Em tardia hermenêutica de liturgia

Unge-me ao fósforo semblante que te principia
Aliás é distante
É de bem antes essa espera infanticida
Não te mate, se nem cai em minha obra
Como crua teia contorcida

Eu, infante
Eu, um durante
A mediar novos prólogos
Em profecia.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

ALITERAL

Hoje deparei-me
Por entre estantes
- Instantes de vida -
Desta
Inexorável.

Em livro
Um cento de dúvidas
- Dessas distintas -
Uma súbita infinita
Em traço escarlate.

E a tinta era vermelha
Centelha parida
Em ares de mártir
Mas de ovelha já emerge ferina
Jamais submetida ao pavor do abate.

Hoje reparei-me intrínseca
Indissociável artigo de praxe
E a métrica é só uma íntima
Subentendida não ao rigor
Ou à rima
Mas à catarse.

FEITIÇO

Choveu...
Eram gotas de veneno
E eu, aos poucos fui vivendo
- Não mais o fim dos tempos -
Mas o encantamento
De beber do céu.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

DE NINGUÉM

Tento averbar ausências
Mas de abstrato
- Me basta -
Do termo,
A tenência.

PSEUDO_PODO

Quando voo
Esbarro
Na aerodinâmica
Da minha inércia
E permaneço livre
Por entre asas
De desamparo.

DA LIMITAÇÃO VISUAL POR ENTREOLHARES

Não há lógica
Subentendida
Em óticas ressentidas.

OCA_SIÃO

Não quero poesia
Ao acaso.

Se caso
Me separo dos termos
Sem abalo.

ENTRE_TANTO

Acho
- por bem -
Perder-me
Por entre sentidos
De posse.

ANTÍTESE

Eu prezo
O silêncio
Como quem rodopia
Em desagrado.

TERRA NOVA

Pairo
Beirando
Sementes.

Se germino
- Genuíno -
É o dom
Do aceite.

MENTE_CAPTO

Meu amor
É um cético
Esquecido
Na constante
De um tolo.

AUTOPISTA


Sei
Acontecer
Vestígios.

ESCALAS

Te deixo
Ir
A tempo.

Não que algum dia
Em algum tempo
Tenha estado
Aqui.

Mas
Te deixo
Ir
Como se a volta
Fosse mera questão
De ponto de partida.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

UNICIDADE

Tento existir
Na exterioridade
Da minha palavra

Em vão.

Cada cor que recorto
Em meu mote
"Tem sangue eterno"
Mas apenas uma das asas ritmada.

A outra se quebrou.

Só assim
A lira
Não me exata.

ENTIDADE

Quando o sono
Me abate
Assim inoperável
Em um meio de tarde
Pode ser um poema
Preparando meu espírito
Para recebê-lo sem alarde.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

SEGUINTE

Não sou
De refrear
Melancolias.

- Mas permiti-las -
É um dom tão raro
Quanto ver poema claro
Ao amanhecer sozinha.

DA DELICADEZA DAS POSSIBILIDADES

Pode ser
Equívoco
Invocado
Desses males
De amor
Mal-resolvido.

Pode.

Mas tem essa curva
Acentuada
Excetuando-se
Segura
- Faceira -
Como se houvesse
No depois
Uma ladeira
- Íngreme -
Mas emblemática

- Ainda que agora
Meu peito repouse em ponto morto -

Tem esse perfume
Essa lua
E o teu rosto
Ocupando a distância exata
Do meu bom senso

Pode ser
Que sendo
Imperfeito
Perfaça ruído
- Em silêncio -

Deixa ver
Pode ser
Questão de tempo.

sexta-feira, 25 de março de 2011

SELVAGEM

Quando penso termos
A devastar incertezas
Meios-medos
Parecem me enlaçar
- Inteiros -
Pelas presas.

PROJÉTIL

É tanto ruído
Que me pego
- Ventríloquo -
A calar intempéries
Sob risco.

GRÃO DE BICO

O pássaro não está cabisbaixo
Ele apenas observa
- Do alto -
O prevalecer das sementes
Por entre tormentas de estrelas
Terrenas.

RE_PULSÃO

Há um silêncio
Láscio
No luto.

Choro
Soluço.

...

Há um silêncio
Quase inapto
A banhar-me os cortes
Por onde pulso.

quinta-feira, 17 de março de 2011

sábado, 12 de março de 2011

DE_VASTO

Eu sou uma dama
Que se contenta com a sede
E com a fome
E com a mesma e infinita
Réplica tão pequena.

Se for de me vir
Que me venha
Que me sobre no olho
E que me retenha no fôlego
Enquanto a fé for imensa.

Eu sou um verbo
E só reverbero
Quando o que há de ferro
Me marca as veias.

Ah, sim!
E sei que te amo
E sei que te quero
E sei que não há tanto tempo
- Que não há tempo algum -
Que te revire
Ou que te traga
- Respire -
Ao meu lado...

Esse elo tão estupefato
- De estragos -
De histéricos restos
- E não me nego ao que não acho -
Acho bem que é hora de partir de mim
Rumo à solitude do que te assombra
Sumo de infinitude em leve afronta.

Se te amo
Não te conto
Nem à Santa
De santa não hei de ter um raio
Nem pleito
Nem vento
- Só o estilhaço -
O vidro
Vivo
Terno
- E mal comportado -
Quando percebo que te amo
E te assisto ao longe largo do meu vasto.

sexta-feira, 11 de março de 2011

SOURCE

The wait
reverberates
The infinite.


And it's not a stream
- As a hope or as a wish -
But the leader rythm
Of all the seeds
...




The waiting is the yellow flower
Which sails without a quorum
And drowns in the river's sorrow
But borns allowed
On fall of dreams.




(Belief.)

segunda-feira, 7 de março de 2011

EM TERMOS

Tente imaginar
Uma possibilidade
Submetida ao provável
No marco do impossível.

Agora
proponho
               um distanciamento
do objeto
e das objeções alheias.

Um vislumbrar apenas
Sem nenhum apego perceptivo.
...

É assim que te vivo
Um envólucro passivo
- De viço -
Um breve resquício de inconsequência
Em teia
- Em livro -

Na cosmologia gaseificada
Nas luas e nas desculpas
- Baratas -
Embebido.

O que cerceia teu crivo
É o limite dilatado de delito
E eu digo:

Enquanto me servir de sorver
- Equilibro -
Cada prato em uma bandeja de prata
E te sirvo.

domingo, 6 de março de 2011

HEREGE

Corro o risco de cometer
Uma grave elipse cardíaca.
Subentender um amor
Pressupõe risco de vida.

E se vivê-lo à risca
Terei de suprimi-lo na escrita
A-guardá-lo em febre física
Para só depois ressucitá-lo
Na verve artística.

Todo meu amor
Sempre me é
Uma fé
           Omissa.

LEI DO RETORNO

Suspensa
Por sobre a ponte
Há a prensa
A rodar o jornal óbvio
De todos os dias
No vai-e-vem dos mascates
Que negociam o peso bruto
De nossas dívidas.

E o papel ainda é o mesmo
Que envolve os restos
Da peixaria.

MINIMALISTA

Pra onde vou?
VOUando
- Eu chego lá -
Onde pouco

Importa.

ESCAVAÇÃO

Espessura complicada
- Essa -
Das veias cavas.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

RADIANTE

Nasci
de morrer só.

Aprendi
de nascer
SOL

.

(SOLzinha)

EM GANA (QUE EU GOSTO)

As pessoas cobram um retorno
de quem me tornei
Quando tudo é questão de perceberem
que sobreviver
é o limite
do ser.

Eu sou
simplesmente
uma elouquência inexata
de porquês
e quereres.

Eu desejo me desmaterializar
a tempo de inspirar
da própria cinza
do desaparecimento.

Perecer é um alento...
PARECER é que é o lamento...

...E eu
não tô nem aqui.

TANTO FATO

Não hei de substanciar
a origem de todas as coisas.

Subsidiar o pensamento
à forma
É uma clara referência ao fracasso.



Causas
                Cousas
Crasso.

JOHN DOE

Acho que sou
de me apaixonar
                          desconhecendo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

FLUÍDA

Há uma liquidez absurda
Em cada sólido silêncio
              de toda música.

OBaSTANTE

Cada coisa em si encerrada
guarda a vulnerabilidade esquecida
na liberdade do nada.