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BLACKJACK

Entra
A luz já tá acesa
E as cartas sobre a mesa.

E eu?
Me reservo em cada curva acentuada
E na difusa sombra larga
A arrematar tuas certezas.

A dúvida é uma nobreza
E se duvido, em sonho amparo
O desvelar de um passo em falso
É o que virá em fé imensa!

Devora-me em teu espaço
Com o sangue equivocado
De todas-outras velhas lembranças.

Sei que de dizer um dia calo
E o que ficar então no claro
É o que havia de haver nas mangas.

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
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Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
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Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
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Do timbre
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Para subverter a beleza que não se vê
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De um cego
Mas te ferisse com meus dragões?

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Sem que te sentisses um otário?