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GAME

Entrego agora
Minha máxima monogâmica
À elipse cardíaca
- Que me será crônica -
E não ditosa.

Que me venha o enredo
Que o pleito evoca
Em novas obras
Pois sobras
- Solilóquios de velhas cordas -
São para bem valer o ônus
Em mais cólera!

A glória vem depois
Que se desgraça
- Em suaves troças -
Os sonhos do mentor
De mentecapta
Mas tão vasta cátedra
Que em vão decora.

Em vidência duvidosa
Recebe esta máxima
Como a centelha divina de uma ópera
Não opero milagres
Não te rogo lugares
Só te livro, inteira
Dos díspares lunares
Em mais espuma e na beira.

Sou a entre-safra das faceiras
Alegre ao receber o célebre mais escuso
- E comportado -
Nos campos e macieiras.

Maçã. afã do pecado
O pedaço morde ao lado
Mas o gosto
É de uma letra.

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
E as lavasse do ritmo
Do timbre
Dos anos
E as apresentasse pra ti?

E se eu bradasse aos quatro cantos
O mesmo silêncio que exiges
Que seja escutado
Por entre intempéries e raios
E te pedisse pra me ouvir
Claro
E em alto e bom som?

E se eu usasse todos os meus dons
Para subverter a beleza que não se vê
Com os olhos
E batesse no peito com a humildade
De um cego
Mas te ferisse com meus dragões?

E se o bem que eu te fizesse
Viesse sempre a costurar-me a boca
A cruzar meus braços,
E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
Haveria como professar a fé
Sem que te sentisses um otário?