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POR HORA

Sinto uma falta localizada
Mas subversiva tamanha minha auto-desconfiança.

Não mais acredito em pulsares de amor súbito
Saudades em transgredida
Benesses lúdicas em alma enamorada
Mas na lei da vida.

Acredito mesmo é no intrínseco subentendido
Na concepção quase paranóica de comunicar-me por entre códigos
Por meios-olhos
Sem verbalizar noutros ouvidos.

Hoje permito-me jogral de naus e espíritos
Pego-me em canetas a rasurar rastros céticos
E só assim navego o impreciso.

Hoje eu só acredito no que trago espelhado no meu passado já re_lido.
Relíquia a antever novos fardos e a escrever outros livros.

Eu sei, eu documento o que eu vivo.
Talvez por saber que é no arder-doer que curo o aDeus de cada limbo.
Limpo minhas gavetas e reverbero uma dose de quimeras verde-musgo acinzentadas
Mas ainda assim, eu não existo
O que eu sinto é o nada.

Comentários

  1. Lindo! ninguém vive cá neste plano impunemente. Viva e que seja intenso e digno de um ou mil poemas.

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  2. Nooosssa!! Estamos na mesma sintonia então. Mas uma coisa vc pode ter certeza. Difícil é vc não sentir nada. Bjks

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
E as lavasse do ritmo
Do timbre
Dos anos
E as apresentasse pra ti?

E se eu bradasse aos quatro cantos
O mesmo silêncio que exiges
Que seja escutado
Por entre intempéries e raios
E te pedisse pra me ouvir
Claro
E em alto e bom som?

E se eu usasse todos os meus dons
Para subverter a beleza que não se vê
Com os olhos
E batesse no peito com a humildade
De um cego
Mas te ferisse com meus dragões?

E se o bem que eu te fizesse
Viesse sempre a costurar-me a boca
A cruzar meus braços,
E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
Haveria como professar a fé
Sem que te sentisses um otário?