DEPOIS DE ONTEM

Sabe, esqueci que te amo?
É... Por mero caso de desatenção...
Um bem súbito, entende?

Parece que de repente
A tua voz rouca e ordinária
(Não me entenda mal)
Passou despercebida pelo meu inconsciente
E escondeu-se retrátil nos poucos milímetros
Em que te resto nos meus poros.

Sei que essa coisa toda de te escrever
Depois de todos esses anos
Dá uma puta bandeira...
(Caberia até citar o Manuel:
"Eu faço versos/ Como quem morre")

Mas dentre todas as opções das mais esdrúxulas
Escolhi viver mais e além
- Não por todo sempre -
- Nunca eternizada na atemporalidade instantânea -
Mas em cada possibilidade pouca.

Escolha atípica para uma poeta - há de dizer
E confesso meu desaparelhamento masoquista
Ao não esperar pela atenuante sobra do depois.

Mas depois do verbo... É que eu te espero
Ainda que por enquanto

- Lembra? -

Eu finjo que esqueço.

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