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Mostrando postagens de Novembro, 2010

POR HORA

Sinto uma falta localizada
Mas subversiva tamanha minha auto-desconfiança.

Não mais acredito em pulsares de amor súbito
Saudades em transgredida
Benesses lúdicas em alma enamorada
Mas na lei da vida.

Acredito mesmo é no intrínseco subentendido
Na concepção quase paranóica de comunicar-me por entre códigos
Por meios-olhos
Sem verbalizar noutros ouvidos.

Hoje permito-me jogral de naus e espíritos
Pego-me em canetas a rasurar rastros céticos
E só assim navego o impreciso.

Hoje eu só acredito no que trago espelhado no meu passado já re_lido.
Relíquia a antever novos fardos e a escrever outros livros.

Eu sei, eu documento o que eu vivo.
Talvez por saber que é no arder-doer que curo o aDeus de cada limbo.
Limpo minhas gavetas e reverbero uma dose de quimeras verde-musgo acinzentadas
Mas ainda assim, eu não existo
O que eu sinto é o nada.

PORÉM

Hoje aconteci princípio
E seria nova a era
Não fosse a saudade
- Esta fera -
A enjaular livre, o lírico.

A lira é um vínculo transgredido
Ao arrefecer em verso
O imerso no não-dito.

OMISSÃO - A MISSÃO DA FALA.

Minha poesia anda subentendida na rotina cíclica de minha omissão.
Quando explode-me em órbitas
- encolho-a -
Para estilhaçar categórica
- sem remendos -
A superficie curvilínea do meu desejo.

Minha poesia anda batendo o ponto
E cercando vagabundo em zona de conflito
Minha poesia anda poupando o desperdício cármico
No universal do envolvimento entre homem e mulher.

Minha poesia, por hora
É sangue e suor incontido
Mas assexuada na prerrogativa da satisfação efêmera.

Eu quero é doer de tanto que preciso de cada palavra solta e rarefeita
No inconsciente de quem sabe que me tem em cada verbo!

VERBALIZE.

DEPOIS DE ONTEM

Sabe, esqueci que te amo?
É... Por mero caso de desatenção...
Um bem súbito, entende?

Parece que de repente
A tua voz rouca e ordinária
(Não me entenda mal)
Passou despercebida pelo meu inconsciente
E escondeu-se retrátil nos poucos milímetros
Em que te resto nos meus poros.

Sei que essa coisa toda de te escrever
Depois de todos esses anos
Dá uma puta bandeira...
(Caberia até citar o Manuel:
"Eu faço versos/ Como quem morre")

Mas dentre todas as opções das mais esdrúxulas
Escolhi viver mais e além
- Não por todo sempre -
- Nunca eternizada na atemporalidade instantânea -
Mas em cada possibilidade pouca.

Escolha atípica para uma poeta - há de dizer
E confesso meu desaparelhamento masoquista
Ao não esperar pela atenuante sobra do depois.

Mas depois do verbo... É que eu te espero
Ainda que por enquanto

- Lembra? -

Eu finjo que esqueço.

AO AMAR MORTO

Hoje desapareci
E tão equivocado é o ausente
Há um rubor de terra e de braços contorcidos
Há um vazio vespertino
E minha cama, em esfera midiática
Descobre ilusões, me iludindo.

Cobertas, pra quê?
Se o frio me vai doer até os ossos do absurdo
Se o que vejo no futuro
É o súbito mal acostumado do que em vão tardia?

A morte é uma marolinha regressiva
Que enquanto alinha-se ao horizonte
Verticaliza-se nas águas frias da despedida.