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Mostrando postagens de Outubro, 2010

POEMA DE BERÇO

Aqui é o único lugar que me pertence

Aqui coexisto com o caos da dádiva

Da dúvida

E sobrevivo.




Aqui não renuncio à escolha

Moldo vocábulos ao sabor da pronúncia

E não dos ditos

Aqui a separação de corpos é simbiótica

E o simbólico é o que faz sentido

A mim enquanto garganta

A mim enquanto semântica subjugada a restos mortais.




A réstia é a massa quântica

E o logrado a linha pronta

Aqui o que me desponta

É o que jaz.




Aqui, um subúrbio decodificado em agentes da passiva

Aqui, um passional da imunoEficiência adquirida

Aqui, o murmúrio de clarividência

Veia-tríplice-traída

Aqui, a delícia estreita que habita

O ato ininterrupto da lira e do gozo

Aqui, o subúrbio intra-uterino

Que onde nasce, MORRO!

DO REVÉS E DA ESPERA

É dia, lógico.
Antes fosse noite
E a reedição um vasto
Digno do gótico.

Em gotas, te reservo sóbrio
Bem sabe, não sou dos óbvios
Behaviorista ao trágico
Te leio em meio ao lema
(e à lama)
Dos teus códigos.

"Please", tecle "enter"
E "Welcome" to às entraves
Entra de vez em quando
E quando tiver ao todo
"Take your time".

O meu vem do que passou sem alarde.
Tem dia bom,
Mas tem noite, meu bem,
Que é grave.

MAIS DO MENOS

Guardei na boca
A remissiva daquele nosso pecado
Não te beijei bem a salvo
Te dei corpo, gozo
Mas não minha lírica propensão ao frágil.

Guardei na boca
O elixir da súbita satisfação do divino
A redimensionar minha volúpia
A destemer nova súplica
Ao suplantar meus versos íntimos.

HASTA LA VISTA, BABE!

Arrefeceu minha avenida
A erosiva da tua contra-mão.

Contra fatos não há tormentos
Se argumento é por mau trato
- Não tratamento -
Nem mal querer à solidão.

Já basta.
A curva é o perigo que não veio
A adornar a propensão!

EXTRA_TÉGIA

A tua fome ainda enche a casa
É saciedade pura no meu quarto
Se bem me olho no espelho, te vejo
Em suave remissão do que veio
Em co-variante de impacto.

Veio e assim virá
Adiante
Como convergência
- Não custeio -
Com o beijo nada casto que o desejo
Suplantou meu osso-láscio.

Mas tua fome ainda bate à porta
Como suspeita filosófica do nefasto...
E a lógica de guerra
É efervescer na entrega
E condensar no silêncio,
O inevitável.

AUTÓPSIA

Meu poema é um corpo
Acontecido na ausência
De inscrição cognitiva.

Meu corpo é uma sílaba
Irrequieta na ossatura líquida
Da medula, só o fóssil.

Meu corpo é uma vaga premissa
A ressoar em verso
O que pulsa, no óbito.

PROCLAMAÇÃO DA RÉ PÚBLICA

Te concedi na lápide
A inscrição mais distinta
Por sobre ela um único
(não singular)
Exemplar de lírio.

Uma sátira abrupta ao vívido
E uma taça de bom vinho
Para brindar ao novo, o homem
Que vindo, nunca veio
E se foi no que não some.

Por sobre o mármore
Inscrevi ali, junto ao teu nome
O memorial de meu desterro
Te vais com meu punhal em teu peito
Inimputável é o meu erro
Condenável é o meu ontem!

CRIA TUA

É infinita
A cética lauda nascida
Do imprevisto revisitado
Pelo tempo.

Atento para a mística
Pois a verdade anda atônita
E a fé voa lírica
No abismo que invento.

RETALHOS

Eu nasci retalhada no verbo
Inverossímil é o medo
Um cego estrangeiro
A revirar meu sossego.

Eu renasci talhada no verbo

E não por menos
- Me nego -
A negociar meus extremos.

DEZ EM UM

Lucra.
Olha bem:
São 10 tempos em um.
Vem comigo que te aconteço na própria sorte
- É um pacote -
"Proibido vender separadamente"
Até porque não é pra completar álbum de figurinhas
É pra figurar tão única
Quanto a mesura lúcida do que foge à rima.

...

Ruma logo
Porque Roma
Foi só a mínima.


Nota da autora: Recomenda-se a leitura posterior à presente postagem de :
http://ressacadoversoseguinte.blogspot.com/2010/09/go-to-rome.html