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Mostrando postagens de Julho, 2010

META-MORFOSE

Se eu te amo?
Amo. E te mereço.
Teu preço é a liberdade de olhar ao desamparo
Mas eu te recebo e preparo
Quase que no além-dentro do meu peito
E me calo.

Não vou dizer
do desmaio
de tanto pranto
da boca seca
Do verso, o vasto.

Não vou dizer do poema
O poente encantado.
Não vou dizer o recado
Que vem arder e doer no obscuro que busco
Em teus olhos, enjaulado.

Não vou dizer do presságio
O meu rapto é insonoro
Insone
Ecoando via láctea enquanto em vão fecha as pálpebras
E não dorme.

Não vou dizer o teu nome
Apenas deixo a rima em desfoque preciso
E a salvo, não me some, o grito evocado
Em vão, precedido.

Salvo teu nome
Escorre meu ímpeto...
E eu hei de te ter em véu sagrado
Pra sempre é um livro.

PESO VIVO

Cansei desta máxima de que coração de poeta tem peso presumido.
Peso pressupõe o que não deve ser leve
Mas quero meu coração na era da portabilidade
Nunca leviano ou descartável
Mas que possa ser desCOMPORTADO
Bem na verdade, trocando em miúdos
- Os meus -
Quero mesmo é que me LEVE
- E isso não é tudo -
O que chamam de peso
- Penso -
Para mim é nulo.

FOZforo

Tamanho de luz é rima
Desfoco é o que me cega é o sobressalto
Não a tímida foz do meu ato
Atordoado
Doando-se em chão tal escasso.

Escamas de peixes vivos
Viram pássaros na surdina
Surda te ouço soprar em soma quase exata
E perco a linha
Irradiada do meu desejo.

Desfecho estreito é o que lega o semi-deus ao leigo dêitico!
Dialética poética poderia impor-se em mais respeito
E o respaldo bem poderia ser um quase-beijo

É quase dia de amanhecer
Em porto seguro atracada
E cada onda amiúde há de ser água
A verter bem por entre o sol dadivoso do poente
Estremece a rubra e alva interface
Ali bem por onde
Já me vês beber da fonte
De onde nasce.

MÊS PRIMEIRO

Há um mês
Quimera flutuante ao avesso do tempo
- Há um mês que é alento -
Certeza exasperada em cada jura
- É silêncio -
Há um mês
É dezembro
E o Natal renovará
As esperanças em cheio
- Há meios -
Fins são só o começo!

POEMA SUPOSTO

Me vejo em solidão
Essa luz tão fórmica
- Dis_fórmica -
E um trovão é meu desejo.

Exímio vento
A costurar ausências
Não tolero o que não vejo
Ressoar em voluptuosas sobras
Não me integro às cósmicas escabrosas do intempestivo
Não suponho ruído
- Eu digo -
Eu-mito!
Exógena!

SONATA DE ANIVERSÁRIO PRESENTIFICADA

Três quartos de madrugada
Plena e encerrada
Na lua que escorro em teu pescoço
Quase que se em mim deixasse o gosto
O teu exasperado hálito de mala pronta
E eu a abarcar em tantas contas de tédio, resultados
Olhando em teu pleito o feito abafado...
Não era de ser ausente
O meu presente de aniversário...E de fato não o foi
Estava ali
Em cada recorte de vontade
Em cada fuso de nada
No desencontro há só o encontro e um basta...Que bobagem
A eternidade é um efeito negligente da abstinência
E eu que sempre te soube
Nem frio
Nem estio
Só miragem
Te escorro em saudade tão endêmica
Quanto a cadência exata daquela ausência
Em liberdade.Telepatias não mais servem às nossas resmas documentadas
Em cada verso só encontro a ávida liturgia do que se cala
Uma simples pólvora intranqüila e controversa
- Há de te ser em mim o que resta -
Hei de te ser o que me for
E eu não tenho pressa.

SANTA SEDE TANTA

Sede.
Tem gosto de sede no que sobra em minha boca.
E não conto as gotas porque raios não chovem
Nem vivem à sombra.

Me assombra a lírica tão confundida em precisão de faz-de-conta...
Faz de conta que me ama
E me falta na iludida mais que perfeita da tua afronta.

Não sou a onda passageira que encontra
Tão pouco o maremoto que tanto pede que te esconda...
Sou aquela voz incômoda
Que ressurge em peito e pronta
Te segue
Te concebe
E espanta!

Se te inspiro
Invado teus pulmões em falso retiro e
- EXPIRAÇÃO -

E se te piro
Prefiro ser o que não canta
O que em pulso ínfimo não é mantra
Nem oração...

Ora, ora se não são duas obras inacabadas
Em alinhamento magnético perfeito
Viscerais no limite do sujeito viciado ao que se desfaz no próprio tempo
Aos poucos e com clara retenção de efeitos
Eu te sou um raro desastre desfeito
O segundo desencontrado no que te pulsou a mais por dentro...

E se te me doeu, não tem jeito
Há que se beber fosse me pudesse morrer
E te viver por inteiro!