domingo, 27 de junho de 2010

TARDE PRA MANHÃ

Luzes acendem a distonia cíclica de minha omissão
E eu te quero
Mas te apago
Em um ou dois tocos de cigarro
Plenamente absortos e mastigados
No que trago
- Não no que estrago -
Pelo chão.

Vem, me olha reunida
em partículas simples e à toa
O que me molha não é a garoa
Mas a lua, respingada de sereno
E eu, aturdida
Confundo a fome que cala na lira
Com o gosto sustenido que move o medo.

Eu cedo
Ainda
Cedo.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

REVERBE

Li alma transcorrida na fluidez engessada do teu corpo estático
Era vulto.

POEMA CON_FINADO

Já te dei um livro
Um puro filho parido às vésperas de minha infortúnia
Já te dei o lábio, o asco, o lascivo errático de crua fissura
Já te dei aquela jura, sôfrega e dilatada
Como quem te tem bem entre as pernas.

Já me dei em terra
E acabei aniquilada pela vicissitude do teu ar, despreparo
Já me dei só e em rapto
Quase fugida da lâmina exposta do teu hábito
Porque não te sou mais retalho
- Retículo endoplasmático lácteo -
Já me sou e me calo
No silêncio discreto de novas luzes de plástico.

terça-feira, 8 de junho de 2010

POEMA INSIGNIFICANTE

E foi como um sopro de arrebatamento
Um algo qualquer a não redizer coisa alguma
Foi uma sequência de luas infinitas de fortuna
Todo o sentido do mundo desvelado na cor nada atenuante dos teus olhos.

Foi um cosmos alegórico em vão tão raro
Uma sensação assim de caos alado
E em largos braços estreei a noite, tola
A versejar sem métrica, rima ou escolha.

Eu li com a tua língua a infinitude do meu desamparo
Agora alardeada da insígnia da tua aura
Agora consumida na vívida pronúncia que me escapa aos lábios.

terça-feira, 1 de junho de 2010

FUNDIÇÃO

Olhos que afundam fundem juízo
- E eu que não consigo antever o precipício -
Atiro-me em desfoque preciso
E assisto...
Olhos que afundam não somem previstos.

FARÁ-O

(M)Olha-me com tua garganta
Sedenta por mais nuances de gozo ensurdecedor.
Encara-me transversa
E não há o que não peça
- Nem de roupa -
Só a louca que em pouca pressa te engole
E de lua te tarda em noite
O peito desata em fole
No dia que se descobre
O Bem já se foi.

Mas volta.
Em tua garganta de amuleto sibila a cobra
E o fôlego que me olha
É par, a dois.