domingo, 16 de maio de 2010

LIDA

Se eu morresse hoje
Bem quereria que não me acabasse
À base do verbo
No efeito da frase
E simplesmente permanecesse
À espera de olhos de vida
Divina
ou desastre.

ALPISTE

E nada me toma
como
o teu silêncio.

A recorrência da gravidade em meus versos
é um simples reflexo do complexo grAVE que sou
a sobrevoar íntima o rasante de razão
que vai do não basta ao que arrasa
o chão que eu desprezo
é a migalha
do despiste
.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

SALVO CONDUTO

Estrelas adormecidas
Adornam nossos tapetes de chão
Em leito e sonho.

E ademais o que me principia
É o teu olho.

BOCA DE SUMO

Língua invadida pelo palavreado bem pontuado do nosso intertexto.

Há trechos de pares
E intrépidos silêncios.

TRIPULANTE

Lírico é o desvelo semi-tornado do teu desassossego a me dar nó.

Marinheiro
Bem-vindo a bordo
Que tão logo te desfaço em chão de ser solo
Não te deixo só.

RESTA UM

Olhar lácteo a teorizar cataclismas...
Revirar o terráqueo não te faz mais abalos
Só me vê novos prismas.

TOTEM

Ponte
Aponte
Meu nome
e a noite
Te será
Como ontem.

SERENATA

Flutuante
Flauta
A flamejar
Meus ritos.

Eu grito!
E anoiteço.

NOVO ATO

Tenho sono e carcomido é meu peito
À espera, estupefato,
Do pós-sol eu vejo o astro

E tão lógico é o tempo...
E tão gasto.

Pausa.
Pausa para meu delírio existir
Inexato.

AO PÉ DA LETRA

Nota...
A nota de rodapé
Lança os olhos ao chão
Lá do alto.

Roda o pé
Voa o chão
No auto
Não anoto nada.
Porque tudo roda
E o pé...
Tem asas.