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Mostrando postagens de Fevereiro, 2010

PRO_EMINENTE

E a última vértebra é o que reverbera
A vera.
E a última quimera
Foi aquela.

Fora aqui dentro
É cólera
- Heróica atmosfera -
Fora aqui dentro
É tudo fera
Um fora da lei
Que já era.

OFERENDA

Tem uma verdade no teu olho que me abocanha
Assim de verve, assim de rumor
- Não que te apresse -
Pra ser tua quermesse
Tua oferta santa maculada
Ao forte efeito do primeiro beijo que não se esquece
Seja um, último, seja todo,
Abarrotado, sopro
Pedido rouco, aceso
Ou o que roga à prece.

Quero teu todo gozo santo forte
Quero me ver rubra no teu olho
E não depender do que escolho
Mas do que então me merece!

E quando em vão me contorce
Quero o que não se quer em poema
Mas te quero, sobretudo,
No vulto insepulto do que foge à resma,
Quero-te a mim mesma
Eu quero o que não foge de ti
Pelo simples direito de abdicar da instância múltipla do dilema.

Porque tem no teu olho
Uma dose limítrofe da minha miopia pragmática
Te ver de perto, hoje, foge à estática
E eu quase orgástica,
Te invento outro
Almejo tua cruz e tu todo tal estaca!

Estaca zero não basta!

Porque no teu olho
No teu olho tem uma verdade que me arrebata!

INFUSÃO

Mote mão resenha
O bote é o que desenha
Induz pensamentos trôpegos
Sôfrego é o logro do que desdenha!
E a santa?
Quanta sanha por debaixo dos véus
Quanta veia!
Sudorípora atéia que induz os olhos teus!
Céus, ilhéus, morfeu, morfina
E o mote quando mata,
Refaz-se em rima,
- Menina -
Assassina tons pastéis
Impulsos fiéis ao sopro de mar.
Amaralina
O mar alinha
Marolinha tsunami
Sáfon alçapão
Alcaçuz de leito lábaro
Conduz peito ébano
Bárbaro refém de ilusão!
Pulso retida esteio
O fuso que espelha meu seio
No meio de nós atados
Escracha retina fato
Meu faro, teu sangue, meu prato,
Teu cado, derrame, infusão!

Roberto Pontes & Natália Parreiras