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Mostrando postagens de Janeiro, 2010

ACÚSTICA

Li a crua exatidão da tua boca
Tão finita quanto o acorde doce
Que se faz refrão.

Como se firme o vívido volvesse hoje
Como se o nada fosse
Volver ao chão!

PALÍNDROMO GÁSTRICO

Minha poesia me engasga
Devora as vísceras inteiras de minha rejeição
Arrebenta vaso por vaso
E expõe a rota circulatória
Em sangue vivo pelo chão.

Minha poesia revolve à boca
O gosto nauseante do nunca.
Impregna minha língua de liquidez homofônica
E acredite! Tem gosto de açúcar.

Minha poesia afoga o fôlego da minha espera
Em inóspito veredicto
Minha poesia serena reverbera
O que nem a sós eu não grito.

E por tanto sonhar em deglutir
- Mastigo - Instigo - Castigo -
- Que eu cismo ser sísmico -
E meu paladar
a ladrar
Tal o avesso ingerido.

RECICLAGEM

Tem um sangue quente
Me bailando a fronte
Ponta-de-pé a arrefecer o céu
Se estanco o pulsar
Finjo que é fonte
E deixo pingar cá no papel.