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ABALO CÍSMICO NO COSMOS*

O tom pesa na caneta
Canela fina esmerila brita quando pisa torto
Um pobre corpo a mercê das rimas
Um peso morto a conceber um outro.

E discuto cada lauda amarga
A fossilizar minha verve em tempo
Posta à prova eu sou um nada
A perecer de esvaziamento.

E dessa névoa fora que tanto me habita
Desacato a hora em meu descanso
Por onde a obra me segue escrita
Fica minha voz em silêncio e pranto.

E os que me choram não salvam a vida
Nem salgam a foz dos que me abandonam
Não chega a morte posto que artista
Revolve à sorte esses tais danos.

Calada no murmúrio impreciso
Pareço verter alma, quiçá solidão
Em último ato descubro que vivo
No ser inexato que eclode do grão.


POEMA DIRIGIDO AOS QUE PARTEM DESTA FORMA (HUMANA) RUMO A OUTROS MUNDOS.

Comentários

  1. Seu Poema fala de uma alma sofrida, bem mais do que seu corpo, me espanto com a poética maravilhosa e também com a dor.
    Seu prelúdio é sua vida, viva ela sem dor.

    Luiz

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
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Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
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Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

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Não hei dizer do credo
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