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Mostrando postagens de Dezembro, 2009

RECREIO

Café da maré
É manhã de maresia
Sem qualquer intenção
De vir a ser poesia.

Aposto à euforia
O aforismo da vida
É o céu de todo dia...

Todavia
Café da maré
Faz sol à revelia.

ABALO CÍSMICO NO COSMOS*

O tom pesa na caneta
Canela fina esmerila brita quando pisa torto
Um pobre corpo a mercê das rimas
Um peso morto a conceber um outro.

E discuto cada lauda amarga
A fossilizar minha verve em tempo
Posta à prova eu sou um nada
A perecer de esvaziamento.

E dessa névoa fora que tanto me habita
Desacato a hora em meu descanso
Por onde a obra me segue escrita
Fica minha voz em silêncio e pranto.

E os que me choram não salvam a vida
Nem salgam a foz dos que me abandonam
Não chega a morte posto que artista
Revolve à sorte esses tais danos.

Calada no murmúrio impreciso
Pareço verter alma, quiçá solidão
Em último ato descubro que vivo
No ser inexato que eclode do grão.


POEMA DIRIGIDO AOS QUE PARTEM DESTA FORMA (HUMANA) RUMO A OUTROS MUNDOS.

VIDE-VERSO

Já conheço o lúdico que desacelera a tua vertigem calmamente dilacerada
A livre forma do teu ser sucinto, ainda que melhor te olhe com essa toda palavra.
Minha palavra te olha como quem roga ao silêncio estético o mérito que a abala.
Porque quieto, te invento e te meço na cor atemporal de minha marca extrema.
Porque quieto, sou incapaz de interromper a simbologia alada da paz que se postula tempo.
Porque quieto, me questiona a imprecisa ausência e sua erudição tamanho o transverso.
Porque quieto, minha palavra te aprisiona em seu ventre e te preserva da intermitência do gesto.
Mas mais do que tudo porque quieto desfazes o mudo, na calada da noite dos sinos de vento.

LIMBO LIMPO

Calhou de toda gente rondar o céu.
Mal sabiam que entre o pardieiro dos enganos e o beco do costume número sete
Raiava o estupor do infinito
E que o dia mais bonito teimava em escavar a fronte diabólica do homem sem idéias.

SONATA INSONE JÁ INSANDECIDA

O poeta dorme
E caótico é seu sono de catarse
Como não pudesse conceber o mote
Como não bastasse adormecer a morte
O poeta dorme às frias lentes de solavanco
O poeta lava-se na água suja do dia seguinte
A mesma água turva a salgar de sublime o seu pranto.
O poeta dorme nos pormenores do indissoluto
O poeta oculta-se, sonâmbulo
A auscultar em um só minuto o vir a ser de seu preâmbulo.
O poeta dorme à beira do precipício
O poeta precipita-se
- É o início –
E a queda no vão
- Obstante –
Pode ser do despertar o bastante não a unção de seu vício.
O poeta acorda
- enforcado-
Mas a forca transpassa seu transe
E o fôlego emerge transcrito.
O poeta dorme enquanto acordado despede-se no vívido.

REFERENCIAL APARENTE

O caos do acaso do desacerto do relógio
Me deu o óbvio
Poeticamente eleito
Intrépido fracasso
Disléxico de ponteiro

Ponti-agudo
Agulhando o curvo mundo-inteiro
Não fosse meu relógio
Teu seria o prognóstico
Meu seria um mundo e meio.

HERESIA

O que é essa descoberta
Essa luta acobertada de moléculas
Inócuas
O que é esta metáfora tão estética
Tão herética
Tão intrinsecamente dialógica
E tão liberta da retórica!

Ao vão à mercê das menções de amnésia
Ao vulto de ver roer e temer doer
As digressões às dionésimas!

O que é te ver tal voyeur do teu próprio prazer
De padecer à minha eclesiástica e tão clichê
De não herméticas rimas
De tão protéticas
- Cataclisma-
Catar o que?

Catar o rei
O hei
O porquê de apodrecer
E ser
E er
E r
Errar-se
Morrer-se
E ser talvez resto
Estória
Esporro
Ex-povo
Exceção
Escassez
Ostracismo
Estrabismo
Abismo
Absurdez...
Surdo
Surto
Susto... Súlfur talvez.

AFÔNICA

Você
O apóstolo átomo
O graal máximo
De minha vidência,

Você
A insônia acústica
A insígnia pronúncia
De onisciência.

Você
Esse verso teimoso
Que ausculta meu gozo
E se cala no sopro
De rimas-cadência!

Voz sede meu troco
Meu análogo esforço
Minha vã confluência.

ABRIGO

Sombrinha
                   Pra verter o sol
Sublinha!

Sublinarmente sombria

                                       Sublime sol o ser (eu sei!)
                                                                                 So(L)zinha!