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GERAÇÃO ESPONTANEA

Eu insisto
Porque o começo é a dor do porvir
E o que dói, quando não, canta
Alimenta a afronta
Mais a frente é o passo dado
É cousa do homem
Não é cousa do vasto
E eu não me refaço do que esqueci.

Eu insisto!
A existência corrobora na mímica da vida
Um pouco de lástima, bem pouco da dúvida
Um cado a mais da briga
E eu já não estava aqui.

Comentários

  1. Somos uma locadora de livros daqui de Recife. E trabalhamos com alguns escritores daqui da região e já estamos trabalhando com escritores de fora. Nossa proposta é divulgação das obras. Um icentivo a leitura e divulgação das obras dos escritores que querem seu espaço. Trabalhamos da seguinte maneira: o escritor doa um ou dois exemplares para nós e em troca nós colocamos a imagem do livro junto com um agradecimento ao autor na primeira página de nosso site (como esta lá atualmente). Podemos tornar sua obra um pouco mais conhecida por aqui por Recife e região. Caso se interesse, basta entrar em contato por e-mail (alugueebooks@gmail.com) Agradecemos o contato. Marino Abreu e Marília Dantas Nosso site: www.aluguebooks.br30.com

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
E as lavasse do ritmo
Do timbre
Dos anos
E as apresentasse pra ti?

E se eu bradasse aos quatro cantos
O mesmo silêncio que exiges
Que seja escutado
Por entre intempéries e raios
E te pedisse pra me ouvir
Claro
E em alto e bom som?

E se eu usasse todos os meus dons
Para subverter a beleza que não se vê
Com os olhos
E batesse no peito com a humildade
De um cego
Mas te ferisse com meus dragões?

E se o bem que eu te fizesse
Viesse sempre a costurar-me a boca
A cruzar meus braços,
E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
Haveria como professar a fé
Sem que te sentisses um otário?