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Mostrando postagens de Abril, 2009

ESTRATAGEMA DO ESTRAGO

Implodido...
O pedido foi confundido no ato de ser concebido alheio.
Implodido se foi bem ao meio
Ao meio-termo do açoite boêmio!
Impedido de ser desbarateio
Barateado a custo zero
Ao gosto do que impero
Perpetuo bolero ao não do tango
- Tangenciado pelo acúmulo do contrabando -
Debando para o caos do preâmbulo...
O ângulo do escuso
Demolido, empoeirado
E o que prolifera é o hiato
É o terreno baldio
É o vazio
E o irresoluto não viu
O estrago.

PRESENTE DE GREGO

Crer é o caos da dúvida
Amém.Eu creio porque lavo minhas mãos E a água é santaPorque o que pranta é a foz do que me abocanhaTamanha a lenha do que me afoga,Eu torno a sobraÀ boca do que me acorda, lírica!
Eu creio é mais na dúvida No a sós do tempoNão na ininterrupta voz do sempreAo vendavar aos céus a súplica,Pois fim de vento quando não em tempestadeTermina no co(r)po ausenteE não pela metade.
Crer é o caos na dúvida Presente no ateu do que não sabe.
(a um sábio poeta e sua inacreditável composição em teia)

BEM-VINDO

E como houvesse de gangrenar
Sarou.
E a ausência cicatrizaria incólume
O resto esfacelado de tecido morto.

Era a cura
ACUDA!
A causa aquém da obtusa lauda
Não acalma nem assusta o bom aplauso que a saúda!

O dedo que a costura crua
Dá ponto sem dó na gota e abocanha o sedento
O dedo aponta o estrago
O déspota santifica o desejo!

Há déspotas rivais
E desejos de menos...

Há pouco que vai...
Bem-vindo não veio.

ADENDO

Teu olho é sangue
Sangria surrupiada do efêmero nato
Teu sangue é ato
Ator_doado
Doando-se em vão
Envaidecendo-se no dom do espetáculo.

Teu olho é um cado qualquer de pecado
Teu olho é o joule
O enjambre alojado
no Rembrandt enjaulado que jaz
no janeiro desajoujado dos justos!

Teu olho é o jubilo
O púlpito que em meu ímpeto se faz público
Teu olho é túrgido
Ungido assim do rugido do meu orgulho.
Teu olho é julho postergado no agosto do próprio esquecimento.
Esquece-te de mais,
Em teu olho contumaz, já é setembro!

REGISTRO DE PASSAGEM - uma exceção dirigida

Faz bem mais de um ano e ainda lembro de te ver parado,
Olhar perdido naquela imensidão de possibilidades,
Umas poucas malas e tanta coragem nas costas.

Ademais daquela porta,
Não me recordo das despedidas.
Talvez do nosso primeiro abraço de Déjà vu
Ou ainda de teu tom irritado de quando falávamos sobre tuas frustrações e ausências múltiplas
Do ressoar da angústia de tuas idas em mais estações de reticência...

Pois é...
Vagaram até descarrilhar as tuas premissas de ordem,
De suspensão inusitada de direitos,
Estas mesmas que inspiram meu deleite conceitual sobre nosso amor paradoxal e esteticamente imperfeito.
É sim,
Foi sim,
Amor.
Ainda que sendo assim
Do que sem tal direito.

RIO PRÉ-MEDITADO

O punho prevê a reticência do submeter-se
Inclina-se ao bom grado das proposições obscenas de meus tantos circuitos de alma espiralada e de sangue contido...

Vertido
Ter tido
Sangue
Ainda que não o tenha sabido ao cedê-la,
Pedida
Pedido me foi ao perdê-la!

O punho que te pragueja
E apedreja
Repousa em teu mito e sucumbe às leis de teu universo imaculado
Em tantas letras de sacros e imperfeitos risos
Eu Rio... Apenas.
Não ladro.

BRINDE AO PÓSTUMO

Eis que a hipocrisia brinda
À hipotética estratosfera dos vastos instintos de destruição.

O brinde pode engasgar e amortecer a garganta se seu gosto é sóbrio.
Mas bêbado, brinda ao inútil do próprio gole de prostração.
Então brinde, meu caro!
Deguste a antropofagia saborosa de todos os teus órgãos inutilizados,
De teus todos ofícios abdicados pela insuportável face da dor inevitável da VIDA!

Beba, engula cada golpe de auto-intermitência,
E abstinente, assista ao dolo silencioso e fatal do teu eu.

Brinde, mas brinde livre do desejo de digerir-se alheio.
Deguste, sinta o sabor de cada palavra que me ofereceu em vão...

E nos sentemos juntos à mesa agradados do “gran finale”
Na quebra das taças e das promessas aguardadas
Em cada gole dos dias que de tão acreditados
Já se foram nossos.

POEMA INTER_MINADO

A poemática diverte-se burocrática no acaso dos termos
E acasala-se no mau-agouro do sentido, vívida!

Se parar adormeço
Desfalecida,
Acendo as cortinas da ante-sala de minha solidão
Imóvel,
Acordo presa ao limite do lúdico
- Real eixo adjacente-

E morro ali... E mil vezes me morro ali.

PRÓ-CRIAÇÃO

Acabo de morrer
E nesse instante acabo de restituir-me de minha morte.
Pedras tantas declarei incólumes
Tal o cúmulo de falecer em ventre
Tal a sorte de prescrever a gênese
Não um vulto a conceber o mote.

OUTRA

Pérolas balbuciadas
Em ostras aladas
Tamanho o ostracismo
Que rói dadaísta
A nau que naufrague e não perca de vista
O não que não age
O vão que não rege
O mal de ser quista.

RÉSTIA

O vago governa o vernáculo do carma
- Morena –
O vago verbaliza ter dado
Em vasto verbete e velado
O lábaro joguete e o dardo
O vago que esconde o escravo
É o vago que agora gangrena!

O vago agoniza-se alado
O vago envaidece o estrago
O vago depõe dor pequena
O vago vagou o vazado
O vago versou um vassalo
Respaldo...
Restou o poema!