POEMA DE BERÇO

Aqui é o único lugar que me pertence
Aqui coexisto com o caos da dádiva
Da dúvida
E sobrevivo.

Aqui não renuncio à escolha
Moldo vocábulos ao sabor da pronúncia
E não dos ditos
Aqui a separação de corpos é simbiótica
E o simbólico é o que faz sentido
A mim enquanto garganta
A mim enquanto semântica subjugada a restos mortais.

A réstia é a massa quântica
E o logrado a linha pronta
Aqui o que me desponta
É o que jaz.

Aqui, um subúrbio decodificado em agentes da passiva
Aqui, um passional da imunoeficiência adquirida
Aqui, o murmúrio de clarividência
Veia-tríplice-traída
Aqui, a delícia estreita que habita
O ato ininterrupto da lira e do gozo
Aqui, o subúrbio intra-uterino
Que onde nasce, MORRO!

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