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LIQUIDEZ CARMIM

É tarde
E no vazio do copo perambulo sonolenta
Como o caos a me embeber tão lento
E então a letra!

Dou um gole na água santa
E rogo às outras putas a minha sede
- O meu engasgo-coldre –
Arma pronta a explodir miolos em vão!

E o pão
Mastigo intermitente
E temo – o cano entre os dentes –
Engolir o estilhaço de meus festins todos...

Boca pra fora
Fora da boca
Os ossos no espelho não desfocam o olhar do outro,
Nem da louca!

E eu espero, abençoada
A anágua e a dádiva do esmero
Por entre a dúvida, me ponho absoluta
Solúvel na liquidez afônica
Da rubra blusa e não carmim.

É ácido-base e não festim!
E tenho dito, eu alvo-aliviado
O que vinga não vem do a salvo
Mas advém do que sangra em mim!

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
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Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

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