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CÁLICE - como jamais diria Chico

As palavras entre nós ocupam lugares desnecessários, roubam gestos, os precipitam.
Palavras entre nós são como foices a serviço do inquirir da alma,
A enunciação da angústia que poderia ser abstraída.
Palavras entre nós verbalizam nossos sonhos imaginados em teor desconstruído,
Abortam possibilidades de ganho, de tamanho, de futuro.
Palavras entre nós são divisões silábicas de afeto, são elucubrações do espontâneo,
São desconfigurações do simbólico trazido cru em torno de um real frustrado.

Palavras estão entre nós.

Mas nós estamos entre elas e o silêncio de uma nova possibilidade...
A de relevar e seguir adiante antes do ato,
Antes desse ato impiedoso de palavra!


"... Mais um gole, que com gás, as entrelinhas podem borbulhar a vontade!"

Comentários

  1. Neste momento as palavras entre nós são necessárias para mostrar que suas palavras me fazem bem a alma, e também me acalmam.

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
E as lavasse do ritmo
Do timbre
Dos anos
E as apresentasse pra ti?

E se eu bradasse aos quatro cantos
O mesmo silêncio que exiges
Que seja escutado
Por entre intempéries e raios
E te pedisse pra me ouvir
Claro
E em alto e bom som?

E se eu usasse todos os meus dons
Para subverter a beleza que não se vê
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De um cego
Mas te ferisse com meus dragões?

E se o bem que eu te fizesse
Viesse sempre a costurar-me a boca
A cruzar meus braços,
E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
Haveria como professar a fé
Sem que te sentisses um otário?