terça-feira, 15 de dezembro de 2009

NECRO-CELULOSE

A célula recolhe à lauda
O edema.
Entenda: há morto em combate
E o mártir é o poema!

EVASÃO

Dar vazão ao vazio
Esmiúça o fastio.
E o verso É VADIO.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

DESTINATÁRIO

Vislumbrar
O lume lunar
De viscose ou seda...
Ceda.
Que cedo tarda, árdua!
Mas chega!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

VIDE-VERSO

Já conheço o lúdico que desacelera a tua vertigem calmamente dilacerada
A livre forma do teu ser sucinto, ainda que melhor te olhe com essa toda palavra.
Minha palavra te olha como quem roga ao silêncio estético o mérito que a abala.
Porque quieto, te invento e te meço na cor atemporal de minha marca extrema.
Porque quieto, sou incapaz de interromper a simbologia alada da paz que se postula tempo.
Porque quieto, me questiona a imprecisa ausência e sua erudição tamanho o transverso.
Porque quieto, minha palavra te aprisiona em seu ventre e te preserva da intermitência do gesto.
Mas mais do que tudo porque quieto desfazes o mudo, na calada da noite dos sinos de vento.

LIMBO LIMPO

Calhou de toda gente rondar o céu.
Mal sabiam que entre o pardieiro dos enganos e o beco do costume número sete
Raiava o estupor do infinito
E que o dia mais bonito teimava em escavar a fronte diabólica do homem sem idéias.

SONATA INSONE JÁ INSANDECIDA

O poeta dorme
E caótico é seu sono de catarse
Como não pudesse conceber o mote
Como não bastasse adormecer a morte
O poeta dorme às frias lentes de solavanco
O poeta lava-se na água suja do dia seguinte
A mesma água turva a salgar de sublime o seu pranto.
O poeta dorme nos pormenores do indissoluto
O poeta oculta-se, sonâmbulo
A auscultar em um só minuto o vir a ser de seu preâmbulo.
O poeta dorme à beira do precipício
O poeta precipita-se
- É o início –
E a queda no vão
- Obstante –
Pode ser do despertar o bastante não a unção de seu vício.
O poeta acorda
- enforcado-
Mas a forca transpassa seu transe
E o fôlego emerge transcrito.
O poeta dorme enquanto acordado despede-se no vívido.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

RESPOSTA

Na tez sem dono do teu abandono
Me fiz de rogar uníssono teu olho
Calhei de sonhar semblantes de fogo
Mas hei - tu virás - de verter isso posto!

REFERENCIAL APARENTE

O caos do acaso do desacerto do relógio
Me deu o óbvio
Poeticamente eleito
Intrépido fracasso
Disléxico de ponteiro

Ponti-agudo
Agulhando o curvo mundo-inteiro
Não fosse meu relógio
Teu seria o prognóstico
Meu seria um mundo e meio.

HERESIA

O que é essa descoberta
Essa luta acobertada de moléculas
Inócuas
O que é esta metáfora tão estética
Tão herética
Tão intrinsecamente dialógica
E tão liberta da retórica!

Ao vão à mercê das menções de amnésia
Ao vulto de ver roer e temer doer
As digressões às dionésimas!

O que é te ver tal voyeur do teu próprio prazer
De padecer à minha eclesiástica e tão clichê
De não herméticas rimas
De tão protéticas
- Cataclisma-
Catar o que?

Catar o rei
O hei
O porquê de apodrecer
E ser
E er
E r
Errar-se
Morrer-se
E ser talvez resto
Estória
Esporro
Ex-povo
Exceção
Escassez
Ostracismo
Estrabismo
Abismo
Absurdez...
Surdo
Surto
Susto... Súlfur talvez.

AFÔNICA

Você
O apóstolo átomo
O graal máximo
De minha vidência,

Você
A insônia acústica
A insígnia pronúncia
De onisciência.

Você
Esse verso teimoso
Que ausculta meu gozo
E se cala no sopro
De rimas-cadência!

Voz sede meu troco
Meu análogo esforço
Minha vã confluência.

ABRIGO

Sombrinha
                   Pra verter o sol
Sublinha!

Sublinarmente sombria

                                       Sublime sol o ser (eu sei!)
                                                                                 So(L)zinha!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

BÚSSOLA

Puro é o tom monótono do não
Que revela teu auto-resgate em fuga minha
Fugaz é a tua linha
Que expõe o bote que te salva a vida
Enquanto NADA com a maré errante
E ignora o pôr-do-sol que te encaminha.

MUSA EU

Se livre
Livre-se
Pois é no Louvre que se deprime em ato o não livrar-se do ciúme.

Talvez em ré eu rime.
(ou rume).

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A CONTROVÉRSIA DO AMOR ABSOLUTO*

As pessoas fazem cartas nas despedidas.
Mas fiz mais do que cartas,
Coloquei mais do que cartas na mesa.
Te mostrei sem medo o que era e o que queria,
Jamais deixei linhas presas...
Fui tão fundo na irrelevante sentimentalidade daqueles dias,
Que acabei inerte na correnteza que dava pé,
Mas se afogava na própria pouca profundidade.

Bem na verdade,
Meu amor,
Jamais te pude chamar assim,
Nem para mim, nem baixinho, mas sim agora,
No fim.
Não tenho mais medo de ouvir-te ressonares que vago na infertilidade do que sinto sozinha,
Somente em minha irracional poesia.

Sempre que te disse,
Ou ainda, escrevi,
Que era hora de lançar âncora ao porto,
Que o que me corroía, logo estaria morto,
Pequei.
Pequei na ignorância de quem ama a solidão de poeta,
Um quase profeta da própria desgraça.

Agora, digo-te com a cândura dos males acometidos aos que fingem a infinita essência dele,
Do amor:
Juro-te estar sempre por perto,
Corando-me as faces ao ver-te te aproximares,
Pedindo a lua que se deite sob os mares,
Senão nos teus braços, então nos meus versos.
Servindo-te de sombra sem aspirações de vulto,
Orgulho embebido em amor absoluto,
Ressurge e não morre assim é o meu luto,
No preto dos teus olhos o abismo tão cego.
Farta da utopia quase pueril disfarçada sob miradas de repreensão,
Farta de repetir a mim mesma com punhos cerrados a luta pelo não,
Resolvi dizer que sim,
Que te amo,
Mesmo que eu não ame,
Que morro,
Mesmo que não derrame,
Sangue.
Dizer-te que sou tua e serei eterna aos teus desatinos,
De menino...
Mesmo que conte décadas sem teu despertar vespertino,
Ou para mim, desatino.
Na esperança de que fazendo-te acreditar que te amo,
Nada fará com que me chame,
Enlouquecida peço, e só peço que me ame.

Nunca o fim foi tão cretino,
Não mais escreverei o que senti,
Mesmo sendo estes os últimos que assino,
Juro ainda mais versos eternos para ti.

30/07/01 - 01:47

*poema "das antigas", atendendo ao pedido de pessoas muito queridas.

PARREIRAS, Natália. Inverno versos. Recife: COMUNIGRAF, 2002.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

POEMA DE MOTIVO TORPE

Embebida na gota lúdica
Do que creio ser a chuva
Me disponho sol na mão
E de vento voo curva.

Tão pouco o tempo me fala do contraste
Ao clarear minha letra rubra
Se o que sei sinto na face
E finjo chorar o que é a chuva.

domingo, 25 de outubro de 2009

POEMA DE ONTEM

A todos os que me moveram um poema
O gosto incolor deste outro
- neutro-

Adjacências à parte
Bom mesmo é dissecar o tempo
Na indiferença secreta
Que pode guardar o poema de hoje
Amanhã.

sábado, 17 de outubro de 2009

QUINTO ELEMENTO

Elementar, meu caro ócio...

Assim oca de fluir a ti recorro

Como se o inóspito silenciar me fosse outro

E o que de ti virá, em vão tão óbvio.



Elementar, meu caro ócio,

Tuas vias de acesso encontram-se escritas

Mas não pareces rondá-las no entanto

E de indiferença ressoam esquecidas

E de esquecer é que anulam-se no ponto.



Elementar, meu caro ócio,

Não peço que pragueje sequer de fome esse meu tempo

Mas se aqui há o que almeje em um só momento

Há que evocar mais de uma vez esse tal nome!



Elementar, meu caro ócio...

Ou é ofício o que virá enquanto some

A sós no quarto, eu ouço o quinto

Elemento tácito,

Meu dito HOMEM!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

GATO DE BOTAS

Dias de chuva libertam sôfregas gotas contidas...
Mas naquela noite não choveu.
O céu criava aquele abismo típico de dia seguinte.
O parapeito disparava, propagando novas nuances da madrugada desafiadora.

Para diluir o desejo, uma boa dose de percepção do entorno é fatal...
E no instante restaurado de volúpia, o volume ardente da indiferença.
O peso de cada passo em falso afeiçoa aos mortais...
Ardiloso...

  ...
Era mais um pulo do gato
que se fazia refém de sair intacto
E de novo
Não com quem
Mas com alguém
Tanto faz qual é o gosto!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

CONTO DE USINA

Era mais um sábado oco e irascível – nada promissor. Era um mesmo conceito amparado de velhas outras expectativas. Era aquela sensação inusitada de formigamento no juízo, de euforia entorpecida de solidão. Era um breve consolo de sobrevida, um suspiro assim... De resistência... Não aos mesmos traumas de "nunca", mas aos de agora.

 Ele vestia qualquer roupa para convencer-se de sua ausente ansiedade eminente – par de chinelos para parecer casual e despreocupado, para soar leve. Os óculos cativavam certa credibilidade, transmitiam a sobriedade que sua aparência frágil e franzina desacreditava nos outros e em si mesmo. “Tudo ao natural” era seu lema: não racionalizar a seqüência provável (ou não) de eventos.
Já era hora de ir.

Ela vestia verde para sinalizar sua esperançosa vestimenta de ousadia – nada literal. Cabulava o tempo respirando intervalos ausentes de conteúdo, permitia-se divagar naquela sensação absurdamente desconhecida de estar à espera... Os lados pareciam transitar extremos opostos e incontroláveis. Tonta, travava diálogos internos ( e austeros!) a fim de convencer-se de sua nova posse de segurança... Nunca houve tantos carros e rostos de ninguém, nunca houve. Aliás, ela nunca ouve. Fala, fala e fala... E ele parecia o extremo oposto: Sábio coletador de dados... Mas onde estaria?
Seus olhos alcançam de relance o esperado foco que cerceia os desdobramentos caprichosos de sua imaginação incontida e voluntariosa. Ele estava ali.


Vê-la manipular a caneta dava-lhe a impressão exata do que tais mãos seriam capazes de fazer com seus pensamentos, ali quase táteis pelo ar – ainda que suas considerações estivessem comprimidas em um silêncio contemplativo perturbador. Ela respirava vitalidade ainda que muitas vezes em excesso... Apesar do pano que usava como blusa mais parecer uma toalha de mesa estranha, ela tinha atitude e um ar despretensioso como poucas. Nem era tão difícil forjar um interesse agudo por seu ofício. Seu olhar insistia em comprometer, bem como suas dúvidas disfarçadas em vocabulário rebuscado... Ela gostava de confundir com respostas erosivas e provocadoras.

Sem hesitar ela paga a conta e sinaliza seu suposto controle. Mal sabia que ele, àquela altura, seria quem "pagaria pra ver".


Até ali já era o suficiente: memoráveis instantes espontaneamente compartilhados e demovidos de expectativas de continuidade... Fingia não perceber o esforço dele em conceber-lhe atributos que soassem cativantes, mas não aduladores. Em poucos segundos sua mente percorre a então distante seqüela de fatalidades. “Chinelos? Vai ver faz o estilo largadinho...Melhor assim, sem perigo! Mas... Ele respira tanta liberdade... É isso! Esse era seu encanto: sua natureza quase que irretocada, abusiva de tão liberta e nada promissora... Mas... Ainda não acabou? Ouvir? Eu? Tá bom... Pra variar...”


E eis que ela o ouviu como ainda faria por muitas vezes e cada vez mais... E tanto. Aquele som inundou sua esfera de contentamento e por um instante ela acreditou ser capaz de ir além ou a lugar algum... Contanto que pudesse carregar consigo aquilo que agora, de alguma forma, lhe pertencia.


(Novembro/2007)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

SOUVENIR

Olho perdido na esfera do quase...
Quase que encontrado no que distoa nunca.

Há de haver poema após a lira
Há de haver vívida
O quase-hora-nunca da vida.

Há de haver onde houvera dúvida
O que por fim na labuta
A certeza haverá,
Esquecida.

domingo, 13 de setembro de 2009

PRECISÃO

Ando precisando voar...
Voo livre, não queda brusca
Breve, sem breque no ar
Ultraleve que salve o peso das asas de poeta
Na lua onde a sombra repousa
O voo solo de artista.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

PRECE

Livro...
Livrai-nos
do mau agouro da ignorância

Em cada ânsia de vesúvio
Livrai-nos do acúmulo
Que forja astuto
O estatuto que herege é santa!

O que não sangra o punho
Não vale o sonho do que estanca!

domingo, 16 de agosto de 2009

SUBJETIVO

Letra
____duz
______entas
________tradas

Ou nenhuma.

POEMA PLANADOR

Não canso de ver do alto
O ver_de que escapa por entre mãos ingratas
de neblina.

Não canso de ver do alto
A curva bárbara que se desfaz na rima!

ANTROPOMÓRFICO

Li na folha de rosto o resto de árvore
A plantar os pés na palavra.

Quebrei o galho e acidentalmente
Esbarrei no verso
Rarefeito em plena estática da gravidade,
O poema.

AO LEITOR

Oficialmente declaro o papel
um meio de confissão A4.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

POEMA DE EFEITO CERTO

Poema certo
É poema incompreendido
Passado batido
Em branco
pra baixo do pano varrido.

Poema certo
de certo
há de ser privativo.

Poema certo
de fato
é sem-vergonha...
De tanto crer no absurdo de que ninguém suponha seu substrato
Seu dado é exato e não exime o legado do que não raro sonha.

Poema certo
É o que vaga errado
Mas acerta na insônia.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

ARTIFÍCIO

Articulado
Articulando
O colan do mulambo é a fronte
E até quando
Há de faltar o ar ao aspirante?

Aspartame só adoça
a sofreguidão que tolera
o não-gosto do instante!

Açúcar engorda
Mas só enche os olhos da gulodice.
Deguste com calma
O sabor não é vinho
Bem vindo, articule-se,
É arte, cure-se!

E basta de mais jogos de palavras infames!

Dai a fome ao homem não um nome!
Dai não ao homem e terá sua fome
Acredite.

SUJEITO OCULTO

Lá onde sai o sol
Saliva um súbito assalariado
Da dívida máxima da alma pequena.

Lá onde sai o sol
Saía o lume feito farol
No farfalhar das açucenas!

A sucessão é que rege o trauma
E equidistante não range o trema!

Lá onde sai o sol é monte
E há de sair Móises, o monge,
Por de trás deste poema!

PRAGA

Praguejo-te o olho
Mastigo teu juízo
Juro de vida a tua hora
E te aconteço suave na lira.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar o clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão no verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Se não me fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

ORAÇÃO À SANTA NINGUÉM

"Benção, mãe"
- Reza o poema -

Amém!

Além é onde salva
Na rima, a alma da palavra
Ao som das trombetas não se zangam os fonemas
A santa ninguém
Era a ponta da caneta!

AVARIA

Inverto o tempo
Afim de reverter a finitude a tempo
Não tardia!

A era da noite era dia
Essa noite vê se adia
E fica mais perto
Talvez amanhã bem cedo tenha nexo
E a noite sem dormir tenha medo!

Inverto a noite bem a tempo
E pareço não perecer se do ontem eu esqueço!

Eis a questão fundamental:
Eu inverto!
Escrever de baixo pra cima
Reza o texto!
E como diria a poetisa
Reviva!
Eis aqui o começo!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

DE UM GRANDE POETA

NESSE ANO DE TANTAS UVAS
(à Natália Parreiras)

Modesta caverna é essa,
a caverna que habito
com meus filhos inspirações
Se agora tenho um travesseiro junto ao peito
é para nos proteger
dos raios nocivos
dessa engrenagem virtual
e das vespas que apenas nós vemos

Redescobrindo o pão, o trigo,
a trilha das colinas,
os furtivos gatos, os bosques amados,
os colibrís da infância

Piso no planeta, o planeta pisa em mim...
minha atmosfera
e a atmosfera dos dias de vento

Meus queridos,
calcemos as luvas das fábulas de Lafontaine,
risquemos mais que fósforos para aquecer
a pequena menina
de Hans Christian Andersen,
nessa noite calma,
nesse ano de tantas uvas

(Edu Planchêz)
http://www.eduplanchezpoesia.blogspot.com/

quinta-feira, 23 de julho de 2009

POEMA MASCOTE

Não enjoa, joaninha
Que tão logo pós-Joá
Fim do túnel chega já
E a Zuzu se foi sozinha!

Não enjoa, joaninha!
Seja for o que será
Faz a lira verdejar
Aço bruto em véu de mar
E assovia!

Não enjoa, joaninha
Se não podes bem voar
Ousa usar a ventania!

Não enjoa, joaninha!
Se aninha pra rimar
Pós o túnel céu virá
Voo teu e letra minha!

VOO SOLO

Lírico levito o poema
A ludibriar o brio do céu
Se voa ao púlpito da terra
Percebo - quem dera -
Se fora sem nunca ser meu!

POEMA DE CADERNO

Fosse a cadência e não o inverno
Não haveria tal poema de caderno
Mas pés entrelaçados na coberta
Na vitrola a bossa que fora hipotética
A veranear na linha torta, mas do horizonte!

Houvesse amanhã
Não fosse ontem
Quiçá, porém, um ou outro titubear rouco em meu ouvido
Em verso trôpego ou em poema mais bonito
Não fosse um mero
Não fosse apenas mais um poema de caderno!

QUINZE PRAS NOVE

São 15 pras 9
Novenas versam vozes
a perambular resistência.

Instintos, quiçá, seriam nobres
Não fosse o 15 para o 9
Um rumar de outra ausência.

Veemente fito o relógio
No compasso alucinógeno
De cada minuto que me escorre.

De pouco minha esperança se recolhe
E de esperar em tempo ilógico
Renego o que há muito fito óbvio
Já são de fato 15 para as 9!

SEM MANGAS

Arregaço
Há regalos na vida
e não pedaços
Não arregalo os olhos
Mas firmo os passos
Há pesar na aguerrida
Que lhe suportam os ossos

O ofício!

O oficioso do fisco
É o fiasco do lírico
Aos vossos
Aos natos
Aos vícios!

Arregaço
Há regras nos lapsos
E elipses nos pífios páragrafos repetidos!

A CURVA DA CHUVA

Côncava a conclave proclama ávida!
Côncava e não árida
O que derrama é agua
na rua
escassa
Cá na curva do que não passa
O que reza a poça
É esquecimento.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

FIXAÇÃO PRIMEIRA (a chico buarque)

Litros vertem lidos
E eu bebo é da sede do desamparo
Pudera a língua lamber-me os livros
E infringir a lei
que vai do leite
Ao leito lábaro!

Se lavo a sede
Engasgo o ventre
E por merecer a vez do açoite
E por fazer do amor a noite
De peito em boca
Meu verso eu calo!


____________________________________________________